Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de maio de 2021
Duas doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19 podem ter cerca de 85% a 90% de efetividade contra o desenvolvimento da doença, disse a Public Health England (PHE), agência pública de saúde da Inglaterra, nesta quinta-feira (20).
“Os dados são impressionantes”, diz Mauro Schechter, professor titular de Infectologia da UFRJ. “Em especial por envolver tanta gente, ser um dos países com melhor serviço de saúde pública do mundo, que testa a beça, é muito informatizado, além de ser o berço da epidemiologia.”
No relatório de vigilância semanal, a Public Health England informou que a efetividade estimada da vacina AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford, foi de 89% em comparação com pessoas não vacinadas. Isso se compara à eficácia estimada de 90% contra doenças sintomáticas para a vacina Pfizer/BioNTech.
Com apenas uma dose da AstraZeneca, a efetividade na prevenção dos casos sintomáticos varia entre 55% a 70%. O resultado é o mesmo para a vacina da Pfizer. Ainda não foram divulgados dados sobre a efetividade de duas doses da vacina da AstraZeneca sobre hospitalização, mortalidade ou transmissibilidade.
A PHE informou que as descobertas preliminares são as primeiras de seu tipo sobre a efetividade de duas doses da AstraZeneca no mundo real, mas advertiu que os resultados são de “baixa confiança”, uma vez que “poucas evidências estão disponíveis no momento e os resultados são inconclusivos”. O alerta seria uma questão estatística, já que menos pessoas no país vêm contraindo o Sars-CoV-2:
“Tudo depende do número de casos que você tem, quando há muitos casos o intervalo de confiança é pequeno, então existe muita confiança nos resultados. Quando há poucos resultados, o intervalo de confiança é grande e a certeza é menor”, explica Schechter.
Até maio de 2021, o percentual de ingleses vacinados com a primeira dose da vacina foi de 49,4% e com a segunda dose, foi de 27,8%.
Para Natalia Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência, o estudo mostra um quadro muito positivo:
“Os resultados são excelentes, mostrando uma efetividade para prevenção de doença maior do que a observada nos testes clínicos. Alguns fatores devem ser levados em conta antes de extrapolar o resultado para outros países, a presença de variantes diferentes, e a observação do lockdown. Em locais com maior circulação da doença e com variantes diferentes, essa efetividade pode variar. Mas ainda assim, excelentes resultados de mundo real.”
A vacina de Oxford/AstraZeneca é a maior aposta do governo brasileiro, que fechou contrato de compra com previsão de transferência de tecnologia do imunizante para produção no País pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Efetividade da CoronaVac
A efetividade da vacina da CoronaVac também vem sendo estudada no Chile. Dados atualizados, divulgados pelo Ministério da Saúde do país, com 10,2 milhões de participantes, mostram que a vacina previne em 66,3% contra casos sintomáticos da covid-19, 87% das hospitalizações, 90,3% na admissão na UTI e 86% contra morte.
A atualização dos dados é feita mensalmente. Em relação a abril, houve melhora expressiva na prevenção de mortes, que passou de 80% para 86%, e leve aumento na internação em UTI, que foi de 89% para 90,3%. Especialistas celebraram os bons resultados da vacina da farmacêutica chinesa Sinovac, que está sendo produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.
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