Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de maio de 2021
Viralizou nesta semana um tuíte que afirma: “A OMS está dizendo que quem tomou Coronavac vai ter de se revacinar. Vacina do Dória é uma bosta. Fake como ele”. O conteúdo da postagem é falso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou não ter feito tal afirmação. “A CoronaVac está sob revisão para a Lista de Uso de Emergência e essas revisões são confidenciais, portanto, não falaríamos sobre uma vacina como essa enquanto ela estiver sob revisão”, escreveu o órgão.
O Instituto Butantan, que produz a CoronaVac no Brasil, também negou a informação. “Fiquem tranquilos, a vacina é eficiente e, neste momento, não existe necessidade de se preocupar com uma terceira dose, como foi propalado recentemente. Isso não corresponde aos fatos”, afirma o presidente Dimas Covas, em vídeo enviado pela instituição.
A possibilidade de uma dose de reforço para idosos acima de 80 anos foi levantada por pesquisadores brasileiros após um estudo feito em pessoas com mais de 70 anos em São Paulo, mas isso não se converteu em uma recomendação da OMS. O estudo ainda está em fase de preprint, ou seja, é uma versão preliminar que ainda não foi revisada por pares e não deve ser usada para orientar práticas.
A assessoria de imprensa da OMS informou que, “até o momento, ainda não pré-qualificou a vacina contra Sars-CoV-2 da Sinovac” e que dados sobre vacinas em avaliação são confidenciais. Ainda comentou que “o surto e a resposta da covid-19 foram acompanhados por uma grande ‘infodemia’, uma superabundância de informações, algumas precisas e outras não, o que torna difícil para as pessoas encontrarem fontes confiáveis e orientação confiável quando precisam”.
A OPAS, braço da OMS na América, também informou que a afirmação do tuíte verificado é falsa. “A Sinovac se encontra atualmente em processo de avaliação pela OMS quanto à possibilidade de sua inclusão na lista de uso de emergência de vacinas contra covid-19.”
Também por e-mail, a organização mencionou dois estudos feitos a respeito da efetividade da CoronaVac. O primeiro, do grupo VEBRA COVID-19 (Vaccine Effectiveness in Brazil Against Covid-19), desenvolvido no Amazonas com a participação da OPAS, mostrou efetividade de 50% na prevenção do adoecimento 14 dias após a aplicação da primeira dose.
O segundo, publicado no último dia 21 de maio no Estado de São Paulo ainda em fase de preprint, mostrou efetividade de 42% na prevenção de covid-19 com sintomas 14 dias após a aplicação da segunda dose. É neste estudo que os autores falam na possibilidade de aplicação de uma dose de reforço em idosos acima de 80 anos, faixa de idade em que a eficácia cai, segundo os pesquisadores, para 28%. Para a OPAS, “as vacinas contra covid-19 são úteis principalmente para reduzir a chance de morte e doença grave”.
Os comentários estão desativados.