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Política Bolsonaro critica ministros do Supremo por articulação contra o voto impresso

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Presidente disse que se a medida não for implementada “teremos problemas” nas eleições de 2022. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira (1°) ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que supostamente articulam contra a adoção do voto impresso. Ele disse que, caso a medida não seja implementada, “teremos problemas” nas eleições de 2022.

Segundo o jornal O Globo, os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso estão atuando como “guardiões” da urna eletrônica. Os três se dividem em defesas públicas do sistema atual de votação e em articulações de bastidores, para convencer a classe política a não alterar o modelo.

“Tem uma articulação de três ministros do Supremo para não ter o voto auditável. Se não tiver, eles vão ter que apresentar uma maneira de termos eleições limpas. Se não tiver, vamos ter problemas no ano que vem. Eu estou me antecipando a problemas no ano que vem”, disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

Em janeiro, um dia após apoiadores do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump invadirem a sede do Legislativo americano por não aceitarem o resultado das eleições, Bolsonaro já havia dito que o Brasil terá um “problema pior que os Estados Unidos” se não houver voto impresso.

O presidente nunca apresentou uma evidência de fraude nas eleições brasileiras, apesar de ter prometido há mais de um ano apresentar provas de irregularidades nas eleições de 2018, vencidas por ele.

A adoção de um sistema em que a urna eletrônica imprimiria o voto está sendo discutida na Câmara dos Deputados. Bolsonaro tem repetido que caso o projeto seja aprovado, ele será implementado, em referência a decisões anteriores do STF que consideraram inconstitucionais propostas semelhantes.

“Então se tem três do Supremo articulando para não ter o voto impresso, porque que eles estão preocupados com a judicialização… Eu já falei, se o Congresso promulgar, vai ter voto impresso”, repetiu o presidente nesta quinta.

Entretanto, a aprovação do projeto foi dificultada após presidentes de 11 partidos decidirem se posicionar publicamente contra o voto impresso. Uma reunião feita no sábado para debater o tema contou a participação de aliados de Bolsonaro, como os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI); do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP); e do PL, ex-deputado Valdemar Costa Neto.

Na sessão extraordinária de um julgamento que encerrou, na tarde desta quinta-feira, o primeiro semestre forense de 2021 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso, que preside a Corte eleitoral, destacou o empenho do Tribunal para demonstrar, à sociedade brasileira e ao Congresso Nacional, a lisura de todas as eleições e do sistema eletrônico de votação que é adotado no País. Segundo ele, o interesse da Justiça Eleitoral é a “defesa da democracia, pela qual todos devem ter o dever de lutar e preservar”.

O ministro lembrou que as urnas eletrônicas vieram para acabar com as fraudes, que eram corriqueiras no tempo do voto de papel, e frisou que, desde que o voto eletrônico foi implementado, há 25 anos, nunca se registrou ou se documentou nenhuma fraude eleitoral. Ele também reforçou que os equipamentos não são conectados a nenhuma rede, além de serem totalmente auditáveis, em diversos momentos do processo eleitoral, antes, durante e depois da votação.

Barroso destacou que diversos segmentos da sociedade civil – inclusive todos os partidos políticos – são convidados a participar da elaboração dos programas de computador que são empregados em cada eleição. “Normalmente, os partidos não mandam os seus representantes por um motivo muito simples: pela absoluta confiança no sistema”, afirmou, ao informar que agora o TSE está insistindo para que todas as legendas políticas venham, de fato, participar da elaboração dos programas para as Eleições Gerais de 2022 e as demais que se seguirem. As informações são do jornal O Globo e do TSE.

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