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Economia Banco Central fará eventos para debater “real digital” a partir do fim de julho

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O que isso realmente significa? É o fim do dinheiro em espécie? O Brasil vai criar sua própria versão do "bitcoin"?

Foto: Agência Brasil
O que isso realmente significa? É o fim do dinheiro em espécie? O Brasil vai criar sua própria versão do "bitcoin"? (Foto: Agência Brasil)

É oficial: o Banco Central está trabalhando na criação de uma moeda digital brasileira. A instituição divulgou, no dia 24 de maio, os critérios para o desenvolvimento de uma versão digital do Real – uma novidade que deve demorar, pelo menos, dois anos para acontecer.

Mas o que isso realmente significa? É o fim do dinheiro em espécie? O Brasil vai criar sua própria versão do “bitcoin”?

Calma, não é bem assim. Entenda, abaixo, as respostas para as principais dúvidas sobre a moeda digital brasileira.

Sabe as notas de Real que você guarda na sua carteira? A moeda digital brasileira seria mais ou menos como elas – exceto que só existiria no ambiente virtual. A ideia é que seria uma nova forma de ter dinheiro e fazer transações com ele.

Em agosto de 2020, o Banco Central criou um grupo para estudar moedas digitais emitidas por bancos centrais (chamadas de Central Bank Digital Currency, CBDC, ou Moeda Digital Emitida por Banco Central, em tradução livre) e avaliar os benefícios e impactos que poderiam vir da criação de um Real em formato digital.

Na época, um comunicado do Banco Central afirmou que, apesar da quantidade de pagamentos eletrônicos estar crescendo nos últimos anos (principalmente pela evolução da tecnologia de dispositivos e comunicação móveis), o dinheiro continuava materializado em “papel e círculos de metal” – ou seja, dinheiro físico.

A criação de uma moeda digital emitida por banco central, entretanto, permitiria que os brasileiros pudessem interagir com seu dinheiro de uma forma completamente digital.

Conhecida ao redor do mundo pela sigla CBDC, uma moeda digital emitida por banco central é como a versão virtual da moeda de um país – no caso do Brasil, o Real. Ou seja: ambas servem para realizar compras, estipular o valor de algo, guardar para o futuro, entre outras finalidades.

Atualmente, boa parte das transações que acontecem no país já são feitas na forma digital: o relatório The Global Payments Report mostrou que, em 2020, apenas 35% das operações foram feitas com cédulas.

A diferença é que, atualmente, a única forma do Banco Central emitir dinheiro é por meio de notas e moedas em espécie. Com a criação de uma moeda digital, a instituição também poderia emitir reais no formato virtual, colocando em circulação moedas que nunca foram impressas e mudando a forma de enxergar o dinheiro.

Além do Brasil, países como Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Suécia também estudam criar suas moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Isso significa que o Brasil vai criar sua própria criptomoeda? Não, o Brasil não está criando seu próprio Bitcoin! Apesar de as CBDC e as criptomoedas, como o Bitcoin, viverem no mundo digital, existem diferenças importantes que as separam.

Uma moeda digital emitida por banco central, como o próprio nome já diz, é regulada pela autoridade monetária de um país. Ou seja: todas as decisões sobre ela são centralizadas numa instituição responsável por regular o sistema financeiro de uma nação.

Já criptomoedas, como o Bitcoin, são emitidas e distribuídas de forma descentralizada – não por um governo ou banco central específico. Quem regula o sistema é a própria rede de usuários, não uma instituição.

Outra diferença importante é que, enquanto criptomoedas são tratadas como ativos financeiros, as CBDC funcionam como o dinheiro tradicional, usadas para tarefas do dia a dia, como pagar contas, transferir para outras pessoas e guardar.

Hoje em dia, por exemplo, você não pode pagar por qualquer coisa usando Bitcoins, certo? Com o Real digital, isso seria possível.

 

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