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Política CPI da Covid retira sigilo das mensagens de Dominguetti, o policial vendedor de vacinas

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Vendedor de vacinas teve celular retido na última quinta (1º). (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A CPI da Covid retirou nesta terça-feira (6) o sigilo de mensagens e áudios que estavam no celular do policial militar Luiz Paulo Dominguetti. O aparelho foi retido para perícia na última quinta-feira (1º), quando Dominguetti prestou depoimento à comissão.

O recolhimento do celular foi motivado por dúvidas da CPI sobre o contexto de um áudio atribuído ao deputado Luis Miranda (DEM-DF), citado e reproduzido por Dominguetti durante a fala à comissão.

O policial diz que Miranda tentou negociar aquisição de vacinas contra a covid diretamente com a Davati. Ao ouvir o áudio, no entanto, senadores apontaram que essa interpretação não estava explícita – e chegaram a questionar se o arquivo teria sido “plantado” para atrapalhar os trabalhos.

A decisão de retirar o sigilo foi tomada nesta terça pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), em resposta a um requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Conteúdo

No último domingo (4), o Fantástico revelou, com exclusividade, parte do material capturado pela CPI no celular de Dominguetti.

O material ainda está sob perícia, mas uma análise preliminar já identificou cerca de 900 caixas de diálogos nos aplicativos de mensagem. Segundo os investigadores, algumas conversas indicam que Dominguetti negociava por dose de vacina uma comissão de vinte e cinco centavos de dólar.

No dia 10 de fevereiro, Dominguetti envia a seguinte mensagem a um contato identificado como Guilherme Filho Odilon: “Estamos negociando algumas vacinas em números superior a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0,25 centavos de dólar por dose”.

E explica: “O que estamos fazendo é pegar o volume da comissão e dividimos de forma igual a todos os envolvidos, claro que proporcionalmente aos grupos. Sendo três pessoas, eu, você e seu parceiro não teria objeções em avançar neste sentido”.

“Gabinete”

As mensagens de celular trocadas pelo cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti, que negociava vacinas com o governo de Jair Bolsonaro, mostra que o operador teria recebido informações privilegiadas sobre a negociação de vacinas diretamente do gabinete do presidente da República.

No dia 9 de março, Dominguetti escreve a Cristiano Carvalho, o CEO da Davati, empresa que prometia fornecer vacinas ao governo. “Já me posicionaram aqui. Amanhã até 12h passam o e-mail a ele. Só a quantidade que não tem ainda”, diz Dominguetti.

Cristiano tenta saber a origem da informação passada pelo operador da empresa a ele. “Informação do Blanco, posso dizer?”, questiona o CEO.

“Gabinete da Presidência da República. Melhor que ele”, responde o policial.

Em outra sequência de mensagens, no dia 13 de março, Dominguetti diz ao CEO da Davati que está próximo de conseguir uma agenda com o próprio Bolsonaro.

“Estão viabilizando sua agenda com o presidente”, diz o policial a Cristiano.

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