Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2021
A recuperação econômica da China, que segue uma trajetória em “V” desde a pandemia da covid-19, está desacelerando. É um alerta para o resto do mundo sobre o tempo de duração dos movimentos de retomada da atividade.
A mudança de perspectiva ficou evidente na sexta-feira, quando o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) reduziu o percentual de dinheiro que a maioria das instituições financeiras precisa ter em reserva como medida para aumentar a oferta de empréstimos. Ainda que a instituição tenha negado que a decisão seja um novo estímulo, o tamanho do corte na taxa do depósito compulsório para a maioria dos bancos, de 0,5 ponto percentual, causou surpresa.
Indicadores econômicos a serem divulgados nesta quinta-feira deverão mostrar uma desaceleração do crescimento econômico no segundo trimestre para 8%, de um recorde de 18,3% no trimestre anterior, de acordo com pesquisa da Bloomberg com economistas. A expectativa também é de moderação dos resultados de vendas no varejo, produção industrial e investimento em ativos fixos.
A agilidade do Banco Popular da China para reduzir o compulsório bancário é uma maneira de garantir que a recuperação se mantenha estável no nível atual em vez de cair a partir daqui.
Sempre houve expectativa de que a economia iria recuar em relação às máximas atingidas durante o início da recuperação e com a dissipação do efeito de baixo nível de comparação do ano passado. Porém, economistas dizem que a freada veio antes do esperado e pode se espalhar pelo mundo.
“Não há dúvida de que o impacto de uma desaceleração da China sobre a economia global será maior do que há cinco anos”, disse Rob Subbaraman, chefe de pesquisa de mercados globais da Nomura Holdings.
“O status da China como primeiro país a entrar e primeiro a sair da covid-19 também pode influenciar as expectativas do mercado, no sentido de que, se a economia da China está esfriando agora, outras seguirão por esse caminho em breve.”
O encontro dos ministros de Finanças do Grupo dos 20 em Veneza no sábado mostrou alarme diante de ameaças que podem inviabilizar a já frágil recuperação global, uma vez que novas variantes do coronavírus e a vacinação desigual podem abalar as perspectivas de melhora da economia mundial. Analistas citados pela mídia estatal chinesa disseram que o crescimento econômico da China irá se desacelerar no segundo semestre devido a uma recuperação global incerta.
A recuperação mais lenta da China corrobora o entendimento de que a inflação ao produtor provavelmente atingiu o pico e que os preços das commodities podem recuar ainda mais.
“A desaceleração do crescimento da China deve significar pressão desinflacionária no curto prazo em todo o mundo, especialmente na demanda por metais industriais e bens de capital”, disse Wei Yao, economista-chefe para a região Ásia-Pacífico do Société Générale.
Os comentários estão desativados.