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Mundo Lista de espionagem em celular tem 50 mil nomes de 45 países

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que espionar jornalistas é "completamente inaceitável". (Foto: Reprodução/Instagram)

Um dia após ser divulgado que milhares de jornalistas, ativistas, empresários e políticos foram alvos potenciais de espionagem pelo sistema Pegasus, os nomes dos supostos alvos começam a vir à tona, e países que tiveram cidadãos na mira de outros governos reagiram ao escândalo.

Na Índia, consta o nome de Rahul Gandhi, líder do Partido do Congresso e principal adversário político do primeiro-ministro Narendra Modi. Na Arábia Saudita, aparecem nas listas os telefones de pessoas próximas ao jornalista Jamal Khashoggi e envolvidas na investigação do assassinato dele em 2018. No México, surgiram nomes ligados ao atual presidente, Andrés Manuel Lopez Obrador, e das famílias de 43 estudantes que desapareceram em 2014 no Estado de Guerrero.

As informações vêm sendo divulgadas por um consórcio de 17 veículos de comunicação de dez países, criado para divulgar a lista dos potenciais alvos de espionagem obtida pela ONG Forbidden Stories, sediada em Paris, pela Anistia Internacional. Entre eles, o britânico The Guardian, o francês Le Monde e o americano Washington Post.

O grupo teve acesso a uma lista com mais de 50 mil números de telefone em mais de 45 países selecionados desde 2016 como de “pessoas de interesse” por clientes governamentais da empresa israelense NSO Group, a criadora do Pegasus. Originalmente, o programa seria vendido para a investigação de grupos criminosos e terroristas. Ainda não há confirmação sobre quantas dessas pessoas foram de fato grampeadas.

Uma perícia forense conduzida pela equipe de segurança da Anistia constatou que de fato houve hackeamento em 12 celulares de jornalistas ainda neste mês, em função de uma falha de segurança em iPhones. A Anistia analisou 67 smartphones em que havia suspeitas de ataques. Entre eles, 23 foram infectados com sucesso, e 14 apontaram tentativas de invasão. Nos outros 30, os testes foram inconclusivos, em grande parte por atualizações dos aparelhos.

A lista de alvos potenciais não identifica os clientes, mas relatórios apontam que eles estavam concentrados em dez países, entre regimes autocráticos (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes e Marrocos), democracias (Índia e México), um membro da União Europeia (Hungria), um país africano (Ruanda) e as ex-repúblicas soviéticas do Azerbaijão e do Cazaquistão.

Segundo a Forbidden Stories, há mais de 180 editores, repórteres investigativos e outros jornalistas entre os possíveis escolhidos para vigilância. Entre eles, revelou-se nesta segunda (19), o da editora do Financial Times, Roula Khalaf, que na época era vice-editora do jornal. Há também jornalistas de veículos como Washington Post, CNN, The New York Times, El País, Bloomberg, Washington Post, Le Monde, France Press, Associated Press e Reuters.

Em uma visita a Praga (República Tcheca) nesta segunda, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que espionar jornalistas é “completamente inaceitável” e que as denúncias devem ser analisadas mais a fundo:

“Pelo que pudemos ler até agora, e isso precisa ser verificado, é completamente inaceitável, se esse for o caso. Vai contra todas as regras que temos na União Europeia”, afirmou. “Liberdade de imprensa e uma mídia livre são valores-chave da UE.”

O Meretz, partido de esquerda na coalizão governista israelense, por sua vez, afirmou que debaterá nesta quinta (22) o assunto com o ministro de Defesa, Benny Gantz, cuja pasta é responsável por licenciar as exportações do NSO.

Opositor indiano 

Na Índia, foi revelado que Rahul Gandhi foi selecionado duas vezes como um alvo potencial, sendo uma das dezenas de políticos, ativistas e críticos do governo identificados.

Dois de seus números constaram nas listas nos meses que antecederam as eleições nacionais de 2019 e nas semanas seguintes ao pleito. Ao menos cinco de seus amigos e outros parlamentares do seu partido também foram possíveis alvos.

Sem a análise forense de um dispositivo não é possível confirmar a tentativa ou invasão bem-sucedida pelo Pegasus. Gandhi, que troca de celular algumas vezes por ano para evitar espionagem, não pôde fornecer o aparelho que usava na época do ataque para análise. Ele afirmou ao Guardian que a vigilância da qual pode ter sido alvo é “ilegal e deplorável”.

Os celulares de escritores, advogados e artistas que defendem os direitos de comunidades minoritárias também constam da lista. Alguns deles foram presos nos últimos três anos e acusados de crimes de terrorismo, incluindo conspiração para assassinar o premier Narendra Modi. A rede incluía um padre jesuíta de 84 anos, Stan Swamy, que morreu este mês após contrair covid-19 na prisão.

Os registros mostram que várias pessoas acusadas de serem cúmplices de Swamy foram selecionadas como alvo do Pegasus nos meses anteriores e nos anos após suas prisões. Outros alvos em potencial incluem inclusive dois atuais ministros de Modi, além de líderes separatistas da Caxemira, jornalistas chineses. Dois números que supostamente pertenceram ao premier paquistanês, Imran Khan, também são citados.

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