Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de julho de 2021
Desde que seu nome começou a ser cotado para assumir a Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tem ligado para deputados e senadores para conversar sobre o futuro da relação entre o Executivo e o Legislativo caso se concretize a ida para o governo federal.
Segundo especialistas, o senador tem prometido ajudar na recriação do Ministério do Planejamento, pasta que controlava o orçamento até ser extinta no início do governo Bolsonaro e ser absorvida pela Secretaria Especial de Fazenda, ligada ao Ministério da Economia.
De acordo com essas fontes, a ideia é que a nova pasta saia do papel até o fim de 2021. Entre os partidos que pressionam para a recriação do ministério estariam PP, PL, Republicanos e Solidariedade. A intenção seria trazer novamente a pasta à ativa em um ano eleitoral e dar o comando a um parlamentar do Centrão.
Segundo parlamentares, a expectativa é que o senador desembarque em Brasília no fim da manhã da próxima segunda-feira (26) e almoce com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a confirmação para a Casa Civil.
Quem é Ciro Nogueira?
Bolsonaro (sem partido) confirmou no fim da semana passada ter escolhido um dos titulares da CPI da Pandemia para um dos cargos mais relevantes do Executivo federal, em substituição ao general Luiz Eduardo Ramos. Ciro Nogueira, 52 anos, é piauiense, empresário e formado em Direito pela PUC-RJ.
Atualmente, exerce o segundo mandato como senador, já foi deputado federal por quatro termos seguidos e é presidente nacional do Progressistas, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e antiga legenda de Bolsonaro em seus anos de deputado federal.
Especula-se que a articulação por Ciro Nogueira na Casa Civil tem sido vista como um prenúncio da futura filiação de Bolsonaro ao PP em direção às eleições 2022, já que o presidente ainda está sem legenda para concorrer à reeleição.
Experiente, Nogueira passará a ocupar o que Bolsonaro nomeou de “ministério mais importante” justamente pelo papel de interlocução previsto a quem ocupa essa cadeira — e o trânsito do senador entre legendas é grande.
Reeleito senador em 2018 em coligação com o PT, Nogueira declarou naquela eleição mais de R$ 23 milhões em bens e tem como primeira suplente sua mãe, Eliane — que assumiria como senadora com a ida do filho para o cargo no Planalto.
Apoiador de Dilma Rousseff (PT), Ciro Nogueira votou pelo impeachment da ex-presidente. Ao justificar a mudança de posição na época, o senador disse ter tentado chegar a uma solução que preservasse a estabilidade do governo Dilma, mas que isso foi “inútil” diante da expressiva votação pela abertura do processo na Câmara.
Em entrevista de 2017 resgatada recentemente por parlamentares da oposição, Nogueira afirmou que o ex-presidente Lula (PT) foi “o melhor presidente da história desse País” e que não se via “votando contra o Lula” em uma eleição. Já em 2018, Nogueira declarou apoio ao candidato petista Fernando Haddad na disputa contra Bolsonaro.
De acordo com a Lei Complementar 64/90, ocupantes de cargos de ministro de Estado precisam se desincompatibilizar do posto seis meses antes das eleições. Assim, se Ciro Nogueira desejar se candidatar a algum cargo no pleito de 2022, precisa deixar o cargo de ministro no início de abril do ano que vem.
Mudanças na CPI
Na CPI da Pandemia, o movimento de Ciro Nogueira fará com que um novo senador assuma uma cadeira titular na comissão: o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), um defensor ativo do governo federal e de políticas como o uso do “tratamento precoce” no combate ao coronavírus.
A entrada de Heinze, no entanto, não deve mudar muito a dinâmica da ala governista na CPI, avalia o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos membros da bancada independente.
“O Ciro [como] ministro não muda nada, já é um grupo que está na base do governo. Apenas removeu o intermediário. Já Heinze tem uma atuação presente na CPI e deve continuar na mesma linha”, afirmou.
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