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Brasil Incêndio atinge galpão da Cinemateca Brasileira em São Paulo

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Bombeiros informaram que não houve vítimas.

Foto: Carla Daniel/Agência Brasil
Bombeiros informaram que não houve vítimas. (Foto: Carla Daniel/Agência Brasil)

Um incêndio atingiu na tarde desta quinta-feira (29), o galpão da Cinemateca Brasileira, no bairro Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. O prédio abriga o acervo fotográfico da instituição, conforme o próprio site da instituição, responsável pela preservação do maior acervo audiovisual da América Latina.

O Corpo de Bombeiros recebeu a ocorrência às 18h04 e, segundo o órgão, 17 viaturas foram deslocadas para o local. Não há registro de vítimas e o fogo teria começado em uma das salas de acervo histórico de filmes, após um serviço de manutenção no sistema ar condicionado por uma empresa terceirizada. Após a extinção do fogo, o galpão deve passar por vistoria da Defesa Civil.

O fogo foi controlado por volta das 19h50. Nesse horário, era possível ver ainda uma fumaça branca saindo do galpão. A rua onde o prédio fica localizado foi interditada e, segundo Robson da Silva Bertoloto, da Defesa Civil da Lapa, as chamas chegaram a 6 metros de altura. O Corpo de Bombeiros foi acionado após chamados de funcionários. Ainda não há confirmação se os itens queimados eram cópias ou originais.

A capitão do Corpo de Bombeiros, Karina Paula Moreira, informou que três salas pegaram fogo, em uma área atingida de 300 a 400 metros quadrados. Em duas das salas havia filmes e, em outra, documentos históricos. O acervo nessas três salas foi destruído. Informações preliminares repassadas por funcionários da Cinemateca aos bombeiros dão conta de que as películas eram originais e não cópias.

O incêndio começou após um serviço de manutenção de ar condicionado realizado por uma empresa terceirizada, segundo a capitão Karina. “Estamos apurando o que foi queimado e o que foi preservado nessas três salas, mas provavelmente não foi preservado nada”, afirmou. A área atingida fica no primeiro andar. Os filmes localizados no térreo não foram incendiados.

Segundo a capitão, funcionários que realizavam a manutenção no local tentaram conter o fogo com extintores, mas não conseguiram por se tratar de material bastante inflamável. A empresa terceirizada foi contratada pelo governo federal. A capitão afirmou que o princípio de incêndio foi causado por uma falha técnica no serviço e os bombeiros foram acionados depois que o incêndio se alastrou por três salas.

O prédio no número 290 da rua Othão, na Vila Leopoldina, foi doado à Cinemateca em 2009, pela Secretaria do Patrimônio da União. Com área total de 8.400 metros quadrados, dos quais 6.356 são de área construída, ele passou a abrigar dois anos mais tarde as reservas específicas de guarda de acervos, áreas de processamento de acervos fílmicos e documentais, laboratório de impressão fotográfica digital e demais instalações administrativas, de apoio e serviços da instituição.

Com a função de preservar e difundir o acervo audiovisual brasileiro, a Cinemateca Brasileira é administrada hoje pela Secretaria Nacional do Audiovisual, braço da Secretaria Especial da Cultura e subjugada ao Ministério do Turismo. Há dois anos, o contrato que a Associação Roquette Pinto (Acerp) mantinha com o Ministério da Educação para a gerência da instituição não foi renovado. O governo federal prometeu lançar novo edital para a função, mas a promessa nunca saiu do papel.

Em maio do ano passado, ao demitir Regina Duarte da Secretaria Especial da Cultura, o presidente Jair Bolsonaro declarou em vídeo, ao lado da atriz, que ela passaria a “fazer a Cinemateca”. Ela não assumiu a função. Já em agosto, o governo federal denitiu todos os funcionários que trabalhavam na instituição, alguns com décadas de carreira, e o portal oficial da Cinemetaca foi retirado do ar.

Ainda em 12 de abril deste ano, os ex-funcionários da Cinemateca Brasileira publicaram um manifesto alertando para “os riscos que correm o acervo, os equipamentos, as bases de dados e a edificação da instituição”. “O risco de um novo incêndio é real. O acompanhamento técnico e as demais ações de preservação, inclusive processamento em laboratório, são vitais”, diz o comunicado, que atenta também para o teor inflamável dos e da possibilidade de autocombustão das películas.

A Secretaria Especial da Cultura diz “lamentar profundamente” e “acompanhar de perto” o incêndio que atinge um galpão da Cinemateca. O órgão alega ainda que “todo o sistema de climatização do espaço passou por manutenção há cerca de um mês como parte do esforço do governo federal para manter o acervo da instituição”.

A secretaria também diz ter solicitado o apoio da Polícia Federal na investigação das causas do incêndio e que “só após o seu controle total pelo Corpo de Bombeiros” poderá determinar “o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico”. O governo federal, por meio da Secretaria, também reafirma o seu “compromisso com o espaço e com a manutenção de sua história”.

Nas redes sociais, o governador João Doria (PSDB) classificou o incêndio na Cinemateca como “um crime com a cultura do País” e fruto do “desprezo pela arte e pela memória do Brasil”. Já o secretário municipal de Cultura, Alexandre Youssef, declarou: “Se se confirmar que o incêndio é fruto da falta de manutenção que nós e todo o setor audiovisual já tínhamos anunciado, vamos perceber que essa é mais uma ação de ataque à cultura e ao patrimônio cultural brasileiro por parte do governo federal, que tem uma linha ideológica completamente distanciada da cultura brasileira. É a crônica de uma tragédia anunciada.”

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