Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de agosto de 2021
Artista começou a carreira ainda na adolescência, na ConeCrewDiretoria
Foto: Reprodução/InstagramPapatinho, de 34 anos, é um dos precursores do trap nacional. O carioca começou a carreira ainda na adolescência, quando integrou o grupo ConeCrewDiretoria. Aos poucos Tiago Alves foi fazendo o apelido de infância ganhar respeito no nome artístico, e hoje é um dos maiores produtores musicais do Brasil.
“Papatinho é uma variação do meu apelido de infância, Sapatinho. É sobre meu jeito calmo, ‘no sapatinho’. Estragaram mais ainda (risos). Daí também veio Papato. No início, eu ficava com vergonha do apelido, mas já acostumei”, conta.
Seu jeito calmo lhe rendeu uma fama diferenciada ainda no início da trajetória, quando ficou conhecido por ser o único dos seis membros da ConeCrew que não fumava maconha.
“Éramos considerados o Planet Hemp da nova geração. Foi uma escolha minha, decidi não ser maconheiro [risos]. Convivi com maconha minha adolescência inteira. Pra mim é tão comum que não é chocante eu não fumar. Cada vez que a lenda ia aumentando, eu falava ‘agora mais ainda que eu não vou fumar maconha’. Do nada, depois de velho, não ia fazer isso. Eu tenho uma reputação”, brinca.
O gosto pela música não veio da família ou de aulas, mas pelo interesse em tecnologia. Ao conhecer o formato MP3, o artista gravava coletâneas em CDs e vendia na escola sua própria “playlist”, se tornando uma referência entre os amigos e se descobrindo como produtor musical.
“Me pediam indicações porque eu conhecia tudo, mas nunca pensei em fazer música. Mexia um pouco nos programas de áudio para editar o que eu tinha baixado, mas era um hobby. Quando meus amigos começaram a compor, senti a necessidade de fazer aquilo virar realidade. Na época, o rap era muito underground e não tinha muitos caminhos, então eu mesmo os fiz. Estudava, trabalhava e fazia beats ao mesmo tempo”, relembra.
A paixão por música fez Papatinho deixar a faculdade de Ciências Contábeis para se dedicar apenas ao que realmente queria fazer.
“Fiquei obcecado pelas batidas instrumentais. Não pensava mais em outra coisa. Sempre fui em matemática na escola. Por isso achava que tinha que fazer algo relacionado a números, mas eu era muito novo, tinha 17 anos. Entrei no curso, mas não me via mais fazendo aquilo. Cheguei a trabalhar na área, mas só ficava pesquisando assuntos relacionados a música. Nunca consegui me dedicar a outra coisa depois que comecei a fazer beat. Por acaso, foi dando certo na internet com a ConeCrew. Vi que cada vez estava mais distante da contabilidade. Joguei tudo pro ar para viver de música”, comemora.
E deu certo. No entanto, ‘Papato’ afirma que não ficaria decepcionado caso não conseguisse se consagrar no cenário artístico, já que sua felicidade está em apenas fazer música.
“Desde o meu primeiro beat, há 15 anos, nunca fiquei mais de cinco dias sem abrir o programa de música. Nem no hospital, quando quebrei o braço. Nunca foi pelo dinheiro. Se fosse por isso, teria continuado na faculdade. Foi porque eu me apaixonei e queria ser feliz. Hoje eu poderia ser motorista de aplicativo se pudesse fazer minhas músicas. Por acaso, posso viver do que gosto de fazer. Não me sinto trabalhando nunca. Pelo contrário, o estúdio pra mim é como um parque de diversões”, compara.
No início, já ganhando dinheiro com música, ele escalou os degraus aos poucos até se tornar um dos produtores mais procurados atualmente. Só em 2020 foram mais de 50 trabalhos lançados.
“Quando comecei a viver de música, ainda morava na comunidade, mas já pagava meu aluguel. Tinha minha independência, mas era bem simples. A primeira evolução foi quando eu parei de andar de ônibus e passei a poder andar de táxi, e já era feliz ali”, relembra.
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