Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2021
O Banco do Brasil (BB) e a Caixa resolveram deixar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e comunicaram a decisão ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O motivo da saída se deve a manifesto que a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deve publicar nesta terça-feira (31) com um pedido de harmonia entre os três Poderes. A Febraban é signatária do documento.
De acordo com fontes, os bancos públicos afirmam que a instituição, que representa o setor no País, é privada e não deve se posicionar de forma política.
Os dois bancos teriam encaminhado nota à Febraban, comunicando a saída da entidade caso o manifesto seja publicado. Segundo relatos, ambos se posicionaram contra a adesão à iniciativa, que foi votada na instituição e teve concordância da maioria.
O assunto tem sido discutido há uma semana. O manifesto não cita o presidente Jair Bolsonaro, mas traz críticas implícitas à gestão de Paulo Guedes e foi encarado pelos bancos públicos como um ataque à política econômica. Isso porque no texto as entidades que o assinam pedem “medidas urgentes e necessárias” para o Brasil superar a pandemia, voltar a crescer e gerar empregos para, assim, “reduzir as carências sociais” que “atingem amplos segmentos da população”.
No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, muito próximo de Bolsonaro.
A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban, a ponto de uma associação nacional dos bancos públicos estar sendo cogitada. O manifesto da Fiesp, intitulado “A praça é dos três Poderes”, foi assinado por diversas entidades da sociedade civil. Juntas, destacam no documento que veem com “grande preocupação” a “escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”.
O documento pede a harmonia como “regra” entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Nenhum dos poderes, defende, é “superior em importância”, nenhum “invade o limite” dos outros e um “não pode prescindir” dos demais.
“Retomada”
A cúpula dos dois bancos oficiais contesta o diagnóstico de grave crise do texto. Para eles, “o Brasil já está crescendo, a economia está em ‘retomada em V’, gerando empregos”. Por essa avaliação, o manifesto não faria sentido.
Nas duas instituições, há uma ala que se preocupa se a saída da Febraban pode ser questionada por órgãos de controle, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público Federal (MPF), ficando caracterizada como ingerência política. Além disso, o desligamento dos dois maiores bancos da associação que representa as instituições financeiras pode ter consequências em “objetivos comuns”, como a reforma tributária, em que todos estão do mesmo lado.
Banco do Brasil e Caixa não se manifestaram sobre o assunto. A Febraban afirmou que não faz comentários a respeito de posições atribuídas a seus associados. Sobre o manifesto da Fiesp, disse que o documento foi “dirigido a várias entidades e que o assunto foi submetido à governança da Febraban, como é usual”.
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