Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de setembro de 2021
A pouco mais de um ano da eleição de 2022 e ainda sem partido, o presidente Jair Bolsonaro, auxiliado por seus filhos, intensificou as conversas com o PTB, comandado pelo ex-deputado federal e um dos seus aliados mais radicais Roberto Jefferson, que está preso por ameaças a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A família já levou à mesa algumas das condições para se filiar, entre elas ter autonomia para escolher candidatos majoritários em Estados-chave e a necessidade de Jefferson moderar o tom das críticas públicas. O mais recente capítulo da aproximação com o clã presidencial, porém, provocou um desentendimento na legenda.
Encarregado de capitanear as negociações com siglas dispostas a abrir-lhe as portas, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) se reuniu na semana passada com o empresário Otávio Fakhoury, presidente do diretório do PTB em São Paulo. O encontro ocorreu sem a presença da presidente em exercício do partido, Graciela Nienov, alçada ao posto pelas mãos do próprio Jefferson, o que irritou a ambos.
De acordo com Graciela, o ex-deputado escreveu uma carta de próprio punho para reafirmar seu apoio a ela e criticar Fakhoury.
“Essa reunião não teve fruto do PTB. Não estava sabendo. Eu quero deixar claro que ele não fala pelo partido”, afirmou a presidente, para depois dizer que é a favor da chegada de Bolsonaro e que o mal-estar já foi resolvido num telefonema com Fakhoury. “Eu sou desapegada à minha cadeira. A gente quer muito o Bolsonaro no partido. O Flávio, o Eduardo, todos eles, serão muito bem-vindos.”
Reservadamente, Graciela costuma livrar Fakhoury de suas críticas e atribuiu o fogo-amigo do qual é vítima no partido a três correligionários: o jornalista Oswaldo Eustáquio, o deputado Nivaldo Albuquerque, de Alagoas, e a ex-deputada e filha de Jefferson, Cristiane Brasil. O desconforto interno, entretanto, pode ter outros desdobramentos.
Na carta, Jefferson pede a criação de um “conselho consultivo” capaz de dar à presidente poderes para “dissolver provisórias e expulsar murmuradores”. Graciela adiantou que pretende tomar essas providências a partir da semana que vem.
Além de expor a importância de Jefferson baixar o tom dos ataques ao STF, Flávio deixou claro a Fakhoury que Bolsonaro considera fundamental poder escolher nomes para concorrer ao Senado e a governos estaduais, sobretudo no Nordeste. Não se trata de um capricho.
O Senado tem sido a arena Legislativa em que o governo mais vem encontrando dificuldades para aprovar suas pautas, e o Nordeste a região na qual o seu principal adversário em potencial, Luiz Inácio Lula da Silva, conta com mais força eleitoral.
Flávio confirma a reunião com Fakhoury, prega a conciliação, mas deixa claro que a batida de martelo dependerá de um entendimento dos dois nomes com maior poder decisório em seus respectivos grupos políticos.
“A conversa (com Fakhoury) foi boa, mas acho que, antes de qualquer decisão de ir para o PTB, teria que ter uma conversa direta do presidente Bolsonaro com o Roberto Jefferson, o que agora não é possível”, afirmou Flávio.
Dirigentes partidários que negociaram com os Bolsonaro afirmam que o clã exige assumir o controle de cadeiras de comando do partido em que desembarcarem. Na conversa com o PTB, ficou acertado que Jefferson continuaria na cadeira de presidente, se e quando deixar a cadeia, e Bolsonaro atuaria como presidente de honra da legenda.
Outras legendas
Flávio admite frentes de diálogo em curso com outras legendas, não apenas de pequeno e médio portes, como o PTB. O PP já flertou com Bolsonaro. O próprio ministro da Casa Civil e homem forte da sigla, Ciro Nogueira, fez movimentos para atrair o chefe.
“Estamos com bom diálogo com o PTB e também mantemos conversas com outros partidos. Em relação à própria fusão do PSL com o DEM, vamos esperar para ver se tem diálogo. Tem também o convite do Ciro Nogueira ao presidente para se filiar ao PP, mas seriam necessários ajustes com algumas lideranças do partido”, disse Flávio.
Eleito pelo PSL, Bolsonaro e seus filhos brigaram com o presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar, e se desfiliaram no final de 2019. Desde então, a família procura uma legenda, principalmente depois de ver naufragar o plano de fundar uma sigla, a Aliança pelo Brasil.
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