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Economia Banco Central começa explorar a criação de uma moeda digital brasileira

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Bitcoin se comporta como commodity na variação dos preços em moedas locais. (Foto: Divulgação)

O Banco Central (BC) e a Federação Nacional das Associações de Servidores do Banco Central (Fenasbac) anunciaram a criação de um laboratório de inovação para explorar a criação de uma moeda digital brasileira. O projeto nomeado de “LIFT Lab Challenge: Real Digital” terá início em 10 de janeiro e será focado em bancos, instituições de pagamento e fintechs, com o objetivo de avaliar o uso de uma moeda digital emitida pelo BC e sua viabilidade tecnológica.

Em nota, a Fenasbac diz que o projeto reúne empresas do mercado financeiro
interessadas em desenvolver o que chama de Produto Minimamente Viável
(MVP) para a criação e uso do real digital. A solução será desenvolvida para
beneficiar o Sistema Financeiro Nacional. “A iniciativa do Real Digital é uma
resposta ao rápido progresso de transformação digital e à demanda da sociedade por meios nativos de liquidação em um novo ambiente”, diz o
presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em nota.

Segundo o coordenador do projeto do real digital do Banco Central, Fábio
Araújo, a moeda pode ser lançada com a tecnologia blockchain e se diferencia
totalmente de uma criptomoeda por não ter volatilidade. Também seria criado
um sistema de pagamentos a partir do próprio Banco Central e não de empresas privadas, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.

“Um sistema de real digital com o Banco Central teria um nível básico de risco para as transações normais. Isso traria ganhos como gerar ambiente mais seguro para pagamentos, de forma regulamentada, com segurança jurídica dos
produtos e que atinja cada vez mais pessoas na sociedade”, diz o coordenador.

De acordo com o BC, o Brasil, ao longo das últimas décadas, tem investido para oferecer meios de pagamentos rápidos, baratos e inclusivos, a exemplo do Pix, que, segundo o Banco Central, tem facilitado a vida das pessoas e alterado a forma como pequenos empreendedores e trabalhadores informais gerem seus negócios, reduzindo custos tanto para pessoas quanto para empresas.

Assim como o Pix, o BC espera que o real digital possa se tornar parte do cotidiano das pessoas, para que possa ser utilizado em conjunto com as contas bancárias, contas de pagamentos, cartões e dinheiro em espécie. E que ainda ajude a diversificar o portfólio de meios de pagamentos disponíveis aos cidadãos.

Além disso, a criação de uma moeda digital vai permitir reduzir custos através
da padronização e interoperabilidade; reutilização de protocolos e a composição de serviços financeiros; e auditabilidade, rastreabilidade e transparência, garantindo as ferramentas necessárias à sua regulação.

Segundo o BC, essas características podem resultar em novos produtos que cheguem mais rapidamente a seu público-alvo, que sejam mais adequados à necessidade das pessoas e negociados em valores médios mais baixos do que atualmente possíveis. “São claros seus potenciais para o aumento da inclusão financeira dessas tecnologias quando associada a outras ações promovidas pelo BC” , disse Neto, em nota.

Os projetos serão selecionados pela Fenasbac e pelo BC e divulgados no dia 4 de março de 2022. O trabalho dos selecionados se inicia no dia 28 de março com duração de quatro meses de aceleração.

Nessa primeira etapa, o foco será dirigido a casos de uso de pagamentos
inteligentes em ambiente online que possam oferecer algumas funcionalidades
como: entrega contra pagamento (DVp), voltados à liquidação de transações
com ativos digitais, tanto nativos do ambiente digital quanto tokenizados; de
pagamento contra pagamento (PVp), voltados ao câmbio entre moedas; uso de
internet das coisas para liquidação algorítmica ou diretamente entre máquinas; e finanças descentralizadas (DeFi). Também será dada a preferência a potenciais soluções de pagamento em que tanto pagador quanto recebedor se encontrem offline.

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