Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de janeiro de 2022
O Brasil perdeu o posto histórico de maior exportador à Argentina no ano passado. A China ultrapassou em mais de US$ 1 bilhão as vendas brasileiras para os argentinos em 2021, após “empate técnico” em 2020. Segundo série de dados desde 2002 de Buenos Aires, trata-se de um fato inédito para os chineses.
A China já havia ficado à frente do Brasil em alguns meses nos últimos dois anos. Em 2020 até “venceu” por uma diferença inferior a US$ 10 milhões, o que deixou o país asiático e o Brasil com igual fatia de 20,4% no total de US$ 42,4 bilhões importados pelos argentinos. Foi em 2021, porém, que a vantagem chinesa ficou clara.
Avanço significativo
Com total de US$ 13,5 bilhões embarcados para a Argentina no ano passado, os chineses apertaram o ritmo das exportações e ficaram com pouco mais de um quinto – 21,4% – das compras externas do país, um avanço significativo em relação aos 14,3% que detinha em 2011. “A China manterá seu esforço de ganhar mercados, sejam em locais próximos ou distantes geograficamente”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
O Brasil também aumentou os embarques ao país vizinho, mas num ritmo mais lento. Com vendas de US$ 12,4 bilhões, correspondentes a 19,6% das importações argentinas em 2021, o Brasil levou um tombo na última década. Em 2011, o país detinha 30% das compras externas do sócio do Mercosul, segundo o instituto oficial de estatísticas do governo argentino.
Bens industriais
A relação sino-argentina revela a competitividade do país asiático, diz Livio Ribeiro, pesquisador do FGV Ibre e sócio da Consultoria BRCG. “A China avança na provisão de bens industriais para a América Latina como um todo desde meados dos anos 2000, e na última década os manufaturados chineses invadiram a região.” De acordo com Welber Barral, consultor e sócio da BMJ Barral, a Tarifa Externa Comum (TEC), cobrada quando um país do Mercosul importa produtos de fora do bloco, foi insuficiente para “criar uma proteção para o comércio intrabloco”. As informações são do jornal Valor Econômico.
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