Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Governo Bolsonaro quer repassar a Estados atribuições federais de licenciamento de obras

Compartilhe esta notícia:

Servidor foi exonerado durante o governo Bolsonaro após atuar contra garimpeiros e madeireiros na região amazônica. (Foto: Sérgio Moraes/Ascom/AGU)

A 11 meses do fim de seu mandato, o governo Bolsonaro prepara um decreto presidencial que prevê mudanças profundas no processo de licenciamento ambiental de obras de infraestrutura em todo o País, retirando diversas atribuições que hoje são da União e do Ibama, para repassar essas ações aos Estados.

O O Jornal O Estado de S. Paulo teve acesso à minuta desse decreto, um texto que tem sido debatido pela cúpula do governo e que já recebeu colaborações dos ministérios da Economia, Meio Ambiente e Minas e Energia, além do próprio Ibama.

Uma das mudanças mais drásticas prevê que o licenciamento ambiental de portos e de hidrovias passe a ser feito por seus Estados e não mais pelo Ibama. Outras obras que deixariam de ser atribuição de licenciamento federal são os acessos rodoviários de estradas, travessias urbanas e contornos rodoviários, além de ramais ferroviários e qualquer outra estrutura relacionada às ferrovias, como a construção de terminais de carga.

Na área de energia, usinas térmicas também passariam a ser atribuição de licenciamento estadual. O mesmo processo passaria a ser adotado em empreendimentos para exploração do chamado gás “não convencional”, envolvendo atividades de perfuração de poços, fraturamento hidráulico e sistemas de produção e escoamento.

Já nos casos de rodovias e ferrovias federais existentes, o texto estabelece ainda que novas obras relacionadas a essas estruturas teriam o licenciamento iniciado em Estados e municípios, mas que estes processos seriam incorporados pelo governo federal quando essas obras fossem concluídas. O decreto determina ainda um prazo limite de até 90 dias para os entes locais liberarem suas licenças de operação. Se o prazo for descumprido, caberia ao governo federal emitir a licença.

O Jornal O Estado de S. Paulo informou que questionou os ministérios envolvidos sobre as motivações de cada uma das mudanças propostas e em que fase de maturação está o decreto, assunto que já foi tema de diversas reuniões realizadas pela Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos do Ministério da Economia. Todos declaram que não vão se manifestar sobre o assunto, porque o texto final ainda não foi fechado e não há data marcada para sua publicação.

Nos bastidores, o governo defende a tese de que as mudanças permitiram que o Ibama e sua área de licenciamento ambiental, que costumava ser pressionada por um grande volume de obras, poderia se dedicar a empreendimentos de grande porte e de maior complexidade ambiental. A justificativa é de que todos os projetos repassados aos Estados e também a municípios são “intervenções isoladas” e que possuem “impacto localizado”.

Na gestão ambiental, porém, o entendimento é de que se trata de mais uma medida do governo Bolsonaro para fragilizar as fiscalizações ambientais no País, esvaziando atividades que sempre foram realizadas pelo Ibama. A transferência de licenciamentos aos Estados poderia gerar ainda uma “disputa” regional por empreendimentos, com flexibilização de regras para atrair mais investimentos. O controle ambiental também poderia sair fragilizado, uma vez que projetos de infraestrutura poderiam ter tratamentos diferentes, conforme a região em que fossem realizados.

Em termos administrativos, o que o governo pretende é alterar o decreto atualmente em vigor, publicado em 2015 e que regulamenta a Lei Complementar 140/2011, a qual estabelece qual é o papel da União no licenciamento ambiental.

“Considero bastante questionável alterar o decreto atual no meio de um ano com eleições. Reduzir atribuições do Ibama nesse sentido significa delegar licenças importantes para a esfera estadual. Mesmo sem essas modificações, há áreas atualmente que, na minha opinião, deveriam ter o poder do Ibama reforçado, e não reduzido, a exemplo das licenças dos grandes empreendimentos minerários”, diz Suely Araújo, ex-presidente do órgão ambiental e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima.

Pelas informações obtidas até agora, diz Araújo, o governo Bolsonaro deixa claro seu plano de ampliar o repasse de projetos aos Estados. “Há necessidade de transparência nesse processo. Quem está demandando essas modificações? O que justifica essa proposta? Nada disso fica claro, o que preocupa bastante.” As informações são do Jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Médica encontrada morta dentro de banheiro de hospital em São Paulo infartou, diz laudo
Justiça aceita denúncia do Ministério Público e cantor Eduardo Costa vira réu por estelionato
Pode te interessar