Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de outubro de 2015
Nos dias de hoje, ostentação virtual é viajar até um destino badalado, fazer uma selfie usando o iPhone da vez e, em poucos segundos, compartilhá-la no Instagram em busca de curtidas e elogios – não sem antes aplicar um belo filtro, é claro.
Se voltarmos no tempo, a moda dez anos atrás era sacar uma máquina fotográfica Sony Cybershot, fazer o registro e sair em busca da lan house mais próxima para postá-lo no Fotolog.
A premissa era novidade: um serviço de blog em que cada postagem tinha uma imagem como grande estrela, muitas vezes acompanhada de longos textos.
No Brasil, chegou a alçar pessoas à fama. Com o sucesso de suas selfies – sim, selfies – no Fotolog, a hoje apresentadora de TV MariMoon, por exemplo, se tornou uma das primeiras celebridades da internet no País: passou a ser garota-propaganda de marcas e foi contratada pela antiga MTV, onde trabalhou por anos.
“Foi quando eu ganhei a minha primeira câmera. E foi a primeira vez que consegui olhar melhor pra mim mesma de outros ângulos e explorar minha autoestima”, lembra a apresentadora, que criou seu perfil em 2003 e parou de atualizá-lo em 2011.
Para ela, a plataforma não soube evoluir. “A internet mudou muito desde o seu início e quem não está dando conta de acompanhar está sendo literalmente atropelado pela concorrência. Podiam ter feito um aplicativo, por exemplo, antes do Instagram.”
Parado no tempo, o site mantém congeladas fotos que muitas pessoas nem lembram que existem. Ainda propagandeia seu app, retirado há tempos das lojas da Apple e do Google. Seu “Sobre nós” exibe promissores dados de 2008.
Restam alguns poucos usuários ativos, que são passageiros de uma espécie de nave espacial desgovernada no universo da internet.
Queixas.
Quem se lembrou de suas fotos – e correu para apagá-las – se deparou com um abacaxi. O problema descrito pela maioria é que o serviço de recuperação de senha do site não funciona. Ele deveria, após a informação do nome do usuário, enviar um e-mail com um link permitindo criar uma nova, o que simplesmente não acontece mais.
Alguns têm mais um problema: em meados da década passada, era comum uma só pessoa criar várias contas de e-mail em diferentes provedores de internet. Com isso, há quem não lembre qual endereço eletrônico cadastrou no Fotolog ou tenha desativado justamente aquele que foi utilizado.
No site Reclame Aqui, que reúne queixas sobre produtos e serviços, as citações à plataforma têm crescido nos últimos meses, todas sem resposta. Também há relatos em outros fóruns virtuais e no Facebook.
A reportagem fez um teste e tentou entrar em contato com a administração do site pelo serviço “Fale Conosco”. Todos os e-mails ficaram sem resposta.
Mãos atadas.
Nascido em 2002, em Nova York (EUA), o Fotolog foi vendido, em 2007, ao grupo francês Hi-Media, da área de publicidade e pagamentos digitais. Nos dias atuais, porém, encontrar os responsáveis não é tarefa fácil.
Segundo o advogado Carlos Affonso Souza, os usuários podem entrar na Justiça pedindo a remoção de seus perfis, mas o processo tende a ser longo, caso o Fotolog não tenha representação no Brasil. Nesse caso, afirmou Souza, o grande desafio será fazer com que a decisão seja cumprida lá fora.
Danilo Doneda, especialista em proteção de dados virtuais, disse algo semelhante. “É um tipo de ação que é muito complicada, seja pelos altos custos, seja pelo tempo que tomaria ou mesmo pela segurança quanto à eficácia.” Ou seja: para os usuários, o melhor caminho é que os responsáveis pelo site apontem uma saída.
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