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Notícias Governo venezuelano amplia perseguição judicial a veículos de comunicação

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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: AFP)

O governo do presidente Nicolás Maduro alterou a “estratégia comunicacional” herdada de seu padrinho, Hugo Chávez, morto em 2013. Maduro aposta no aumento de processos judiciais contra meios de comunicação críticos a ele e na compra de veículos para ampliar a hegemonia midiática buscada pelas lideranças chavistas na Venezuela. Levantamento da ONG (organização não governamental) Instituto Imprensa e Sociedade revela que, entre 2005 e 2014, jornalistas e veículos de comunicação foram condenados em processos judiciais 42 vezes na Venezuela. O número de processos julgados depois da eleição de Maduro corresponde a 20.
O caso mais recente ocorreu quando a juíza María Eugenia Nuñez proibiu 22 diretores, donos e acionistas dos jornais El Nacional, Tal Cual e do site La Patilla de deixar a Venezuela. A sentença foi decidida favoravelmente ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que julgou ter sido difamado por notícias publicadas nesses veículos – com base em uma reportagem do jornal espanhol ABC, que o vinculavam ao narcotráfico.
“Nós analisamos a situação e nesses anos de chavismo houve só dois casos anteriores tão graves como esse. Um deles foi a não renovação da concessão da RCTV, em 2007. O outro foi o fechamento de 32 emissoras de rádios em 2009”, disse a diretora executiva da ONG, Marianela Balbi. “Mas esse caso é o que afeta o maior número de pessoas. E, nesse sentido, essa punição judicial não tem precedentes.”

Compra
Apenas o semanário Tal Cual responde a oito processos. Sob o comando de seus antigos donos, o jornal El Universal chegou a ser processado por publicar fotos de crimes e conteúdo violento na primeira página. “O uso de processos na Justiça contra a imprensa aumentou muito. Com um Judiciário muito afeito ao Executivo e um governo que não aceita críticas, essa estratégia ganhou força”, acrescentou a diretora da ONG.
Um outro aspecto que evidencia a mudança de estratégia do chavismo contra a imprensa é a compra de veículos críticos ao governo e a subsequente mudança de suas linhas editoriais. Isso ocorreu com três dos principais conglomerados midiáticos: o jornal El Universal, a Cadena Capriles e o canal de TV a cabo Globovisión.

Baixa audiência
A principal razão apontada por analistas para esse movimento de compra de veículos é a baixa audiência obtida pelo Sistema Nacional de Meios Públicos, que reúne jornais, redes de TV, sites, emissoras de rádio e revistas. O principal canal estatal da Venezuela tem uma audiência de 3% dos lares do país, segundo pesquisa do AGB Nielsen Media Research.
“A compra de meios privados foi uma resposta a essa baixa audiência dos meios públicos”, explicou Marianela. “O governo tenta chegar à população por outras vias. O discurso panfletário e partidário aparentemente fracassou e por isso mudaram de estratégia”, completa ela.
assédio.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Jornalismo lembra ainda que o governo venezuelano aprovou nos últimos anos 20 leis que dificultam o exercício do jornalismo no país. “Na Venezuela, não há garantia para uma imprensa livre. Se submete o setor a uma política de assédio e perseguição, para converter a imprensa em um espaço a serviço de um projeto partidário”, afirma o diretor do sindicato, Marco Ruiz.

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