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Mundo Mike Tyson: de vítima de bullying e agressão doméstica a campeão mundial de boxe

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Tyson disse que não foi consultado e nem foi compensado financeiramente pelo projeto. (Foto: Reprodução)

Assim como o conto vence por nocaute e o romance vence por pontos, segundo o escritor argentino Julio Cortázar em sua célebre analogia com o boxe, a minissérie “Mike: Além de Tyson” (Star+) narra a história não autorizada do ex-campeão mundial de forma rápida e direta, diferentemente de outras produções a seu respeito. A plataforma disponibilizará novos episódios (oito no total) sempre às quintas-feiras, até 15 de setembro.

Com ótimas atuações — como a de Trevante Rhodes (de “Moonlight”) no papel-título e Russell Hornsby como Don King —, a série mostra a convivência difícil do lutador com a mãe, o abandono da família pelo pai, as agressões domésticas, a desistência da escola por causa do bullying, as brigas nas ruas, a participação em roubos de casas, a violência no bairro em sua infância e a trajetória até o título mundial.

Tyson achava que morreria aos 20 anos. Contudo, no reformatório, descobriu o boxe e depois foi apresentado a Cus D’Amato (Harvey Keitel), ex-treinador de dois ex-campeões mundiais. Da infância sofrida, das relações de mestre/discípulo e, depois da adoção do treinador, de pai/filho, nasceu o estilo brutal, impetuoso e empolgante do menino que não sofreria mais bullying após nocautear, aos 14 anos, o primeiro adversário. Foi esse estilo que o tornou imortal.

Crítica

Em agosto último, Mike Tyson usou seu perfil no Instagram para criticar “Mike: Além de Tyson”, minissérie biográfica sobre sua vida. O ex-campeão dos pesos-pesados disse que não foi consultado e nem foi compensado financeiramente pelo projeto, e acusou a plataforma de streaming Hulu de “roubar sua história de vida”.

Numa postagem, Tyson comparou a produção a atitude dos escravagistas no passado. “Não seja enganado pelo Hulu. Não aprovo a história deles sobre a minha vida. Não estamos em 1822, é 2022. Eles roubaram a minha história de vida e não me pagaram. Para os executivos do Hulu, eu sou só um negro (na versão em inglês, ele usa propositalmente uma expressão racista) que eles podem vender num leilão de escravos”.

A postagem recebeu o apoio de personalidades como o ator Jamie Foxx, o rapper B-Real, líder do Cypress Hill, e o lutador de MMA Francis Ngannou.

Quando a série foi anunciada, em fevereiro de 2021, o ex-boxeador já havia chamado o projeto de “apropriação cultural indébita”.

Um dos motivos da raiva de Tyson é que ele queria fazer uma minissérie chapa-branca sobre sua vida, que seria estrelada por Jamie Foxx. Por conta disso, tentou impedir a produção rival. Quando não conseguiu, passou a atacar a série com muitos xingamentos nas redes sociais.

“Mike: Além de Tyson” foi escrita por Steven Rogers, dirigida por Craig Gillespie e produzida por Margot Robbie – que são, respectivamente, o roteirista, o diretor e a protagonista-produtora de “Eu, Tonya”, filme premiado sobre outra estrela violenta dos esportes norte-americanos, Tonya Harding. Além deles, Karin Gist (produtora-roteirista de “Star” e “Mixed-ish”) integra a equipe como showrunner. As informações são do jornal Valor Econômico e do site Pipoca Moderna.

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