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Saúde Dois anos de vacinas contra a covid: o que se sabe sobre os resultados e os efeitos colaterais

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A maior parte dos imunizantes contra a Covid-19, incluindo as vacinas da Pfizer, AstraZeneca e CoronaVac, conta com esquema primário de duas doses. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O Museu de Ciência de Londres, no Reino Unido, montou uma exposição temporária para marcar a epopeia do desenvolvimento e da aplicação das vacinas contra a covid-19 em tempo recorde.

Numa das prateleiras, é possível ver a seringa, a ampola e a bandeja de papelão que foram usadas no dia 8 de dezembro de 2020, quando a inglesa Margaret Keenan, de 90 anos, se tornou a primeira pessoa a receber a vacina contra a covid-19 fora dos estudos clínicos.

De lá para cá, outras 13 bilhões de doses foram administradas em todo o mundo, incluindo os reforços e os imunizantes atualizados, que protegem contra as variantes mais recentes.

O que aprendemos nesses dois anos de campanha? O que os dados revelam sobre a efetividade dos imunizantes? E o que se sabe sobre os efeitos colaterais?

Em resumo, os estudos mostram que as vacinas contra a covid testadas e aprovadas foram as principais responsáveis por conter as hospitalizações e as mortes pela infecção — sem elas, os números de afetados pela crise sanitária seriam bem maiores.

Além disso, os eventos adversos mais graves são considerados raros pelas instituições de saúde pública.

– Os efeitos práticos: “A vacinação contra a covid marcou a diferença entre morrer e sobreviver para muitas pessoas”, resume a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Desde que as doses começaram a ser aplicadas na maioria da população, as taxas de internações e mortes decorrentes das complicações relacionadas ao coronavírus caíram consideravelmente.

E, mesmo com a chegada de variantes mais transmissíveis, como a ômicron, a imunização garantiu que a maioria das pessoas não ficasse severamente doente ou morresse.

O Brasil é um exemplo disso: quando as primeiras vacinas foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro de 2021, o país estava prestes a viver o momento mais grave de toda a pandemia.

Entre o final de março e o início de abril do ano passado, a média móvel diária de mortes por covid chegou a superar a casa das 3 mil (com registros de 72 mil novas infecções/dia), segundo o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Com o passar das semanas — e o aumento da porcentagem de brasileiros vacinados — os números começaram a cair aos poucos.

Essa estatística só voltou a subir novamente em janeiro de 2022, com a chegada da variante ômicron. Mesmo assim, o pico dessa onda foi de 950 mortes diárias, enquanto o número de novas infecções chegou a 189 mil a cada 24 horas.

Para a comparação ficar mais clara: Pico da onda de março/abril de 2021: média de 75 mil casos e 3 mil mortes por dia. Pico da onda de janeiro/fevereiro de 2022: média de 189 mil casos e 950 mortes por dia.

Um outro indício da efetividade das vacinas vem de uma pesquisa publicada no último dia 13 de dezembro.

Nela, o Fundo Commonwealth pediu que cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade Yale, nos Estados Unidos, tentassem responder a uma pergunta: e se não tivéssemos vacinas contra a covid-19 até agora?

Os resultados encontrados indicam que só os EUA teriam enfrentado 18,5 milhões de hospitalizações e 3,2 milhões de mortes adicionais por covid nesses últimos dois anos.

– E os efeitos colaterais? “Quanto mais tempo passa e mais doses das vacinas contra a covid são aplicadas, mais temos certeza sobre o perfil de segurança delas”, responde Ballalai.

Nesses dois anos, as agências regulatórias e as instituições públicas de saúde realizam um grande esforço para monitorar e investigar cada caso de provável evento adverso pós-vacinação.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) aponta que os “efeitos colaterais sérios são muito raros”.

Entre os incômodos mais comuns após a vacinação, eles destacam: Dor no local da injeção; Sensação de cansaço; Dor de cabeça; Dor no corpo; Febre; Sensação de mal-estar ou de estar doente.

A entidade detalha que “a maioria desses efeitos colaterais são leves e devem durar menos de uma semana”.

“Se estiver com temperatura alta por mais de dois dias, uma tosse contínua ou perder o paladar e o olfato, você pode estar com covid-19”, orienta o NHS.

“Você não pega a covid da vacina, mas é possível ter se infectado pouco antes ou depois de receber a dose”, complementa o artigo.

– Mas e os eventos adversos graves? O que dizem os números mais recentes? O mais atualizado registro de estatísticas do tipo é publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Numa publicação, a entidade aponta a quantidade proporcional de casos de efeitos colaterais mais graves conhecidos até o momento:

– Anafilaxia (reação alérgica severa após a vacinação): 5 casos a cada 1 milhão de doses aplicadas;

– Trombose relacionada à vacina da Janssen: 4 casos a cada 1 milhão de doses aplicadas;

– Síndrome de Guillain-Barré relacionada à vacina da Janssen: não há um número fixo, mas houve um pequeno aumento de casos em homens com mais de 50 anos imunizados com esse produto, em comparação com aqueles que receberam doses da Pfizer;

– Miocardite e pericardite (inflamações cardíacas) em jovens que tomaram a vacina da Pfizer:

– Dos 12 aos 15 anos: 70,7 casos por milhão de doses aplicadas;

– Dos 16 aos 17 anos: 105,9 casos por milhão de doses aplicadas;

– Dos 18 aos 24 anos: 52,4 casos por milhão de doses aplicadas.

O CDC informa que “a maioria dos pacientes que tiveram miocardite e pericardite depois da vacinação contra a covid-19 responderam bem ao tratamento e ao repouso e se sentiam melhor rapidamente”. As informações são da BBC News.

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