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Brasil Justiça aceita pedido do Bradesco e determina busca e apreensão de e-mails de executivos das Lojas Americanas

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Entre os alvos estão o acionista Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, representante de Jorge Paulo Lemann no conselho. (Foto: Divulgação)

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu a favor do Bradesco em ação em que a defesa do banco pedia a produção antecipada de provas relacionadas ao rombo contábil das Lojas Americanas. A Justiça paulista determinou, em decisão expedida na tarde desta quinta-feira (26), a busca e a apreensão de e-mails de executivos e funcionários da companhia, em caráter de urgência.

O TJ determinou a cópia de todas as caixas de e-mail institucionais de diretores atuais e anteriores da Americanas, que tenham ocupado os cargos nos últimos dez anos; de membros do conselho de administração e do comitê de auditoria da empresa, o que inclui também os que ocuparam tais postos na última década; e da mesma forma, de ex e atuais funcionários da área de contabilidade da varejista. Entre os alvos estão o acionista Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, representante de Jorge Paulo Lemann no conselho, e o ex-CEO Miguel Gutierrez.

“Esta decisão servirá como mandado-ofício. Expeça-se a precatória para cumprimento do ato, COM URGÊNCIA, providenciando o autor o seu encaminhamento”, afirma a decisão, que intima ainda um prazo de cinco dias para a resposta ou a contestação por parte da companhia.

A defesa do Bradesco pediu a produção antecipada por entender que as provas poderiam se perder. De acordo com os advogados do banco, é por meio das provas e de uma perícia forense que se pode determinar os responsáveis pelo que qualifica como fraude contábil.

Na quarta, o TJ-SP tomou decisão parecida em favor do Itaú, negando, entretanto, a realização de depoimentos com acionistas e ex-executivos da Americanas. Em ambos os casos, os advogados dos bancos argumentaram que a Justiça de São Paulo é o foro adequado para as ações porque os contratos firmados com a Americanas assim determinam. A recuperação judicial da varejista corre no Rio de Janeiro.

O Bradesco é o maior credor da Americanas em volume de créditos, com cerca de R$ 4,8 bilhões a receber da empresa.

Prateleiras vazias

O rombo de R$ 43 bilhões nas finanças da Americanas e o pedido de recuperação judicial da companhia ressaltaram uma polêmica já antiga envolvendo a imagem de suas lojas físicas: a sensação de “decadência” das unidades. Prateleiras vazias, bagunça nos corredores e desabastecimento são alguns dos problemas narrados por usuários nas redes sociais.

Em unidades visitadas pela reportagem foi possível encontrar, além da falta de produtos e desorganização em algumas seções, lojas com paredes mofadas e até com a fiação no teto exposta. Para especialistas, se no passado essas características atraíam consumidores atrás de promoções, a imagem de decadência da varejista pode ter sido agora agravada por um possível problema de desabastecimento e abandono por causa da situação financeira da companhia.

Questionada sobre a situação e os relatos de usuários sobre a sensação de decadência, as Lojas Americanas informou que “segue operando normalmente, mantendo seu propósito de entregar a melhor experiência”. “Os clientes podem comprar produtos e serviços disponíveis em diversas unidades da Americanas próximas e também no site e app da marca”, disse, em nota, a companhia.

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