Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de fevereiro de 2023
O Banco do Brasil, por meio de seus centros culturais, vai retomar o patamar de investimentos à cultura anterior ao governo Bolsonaro. A informação é de Tadeu Figueiró, gerente de marketing e comunicação do banco. O edital de programação das unidades no Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, lançado por Figueiró ao lado da ministra da Cultura, Margareth Menezes, vai aportar R$ 50 milhões por ano, entre 2023 e 2025. “Entendemos que para fazer cultura com qualidade e dignidade seria esse o valor, aproveitando a série histórica que tínhamos entre 2015 e 2018”, afirma.
Assim como outras instituições, o Banco do Brasil teve dificuldades de apoiar o setor por meio de incentivo fiscal federal. “Caiu a utilização da Lei Rouanet, porque a maioria dos projetos não estava conseguindo aprovação e então investimos recursos diretamente”, conta. Segundo o executivo, os patamares aportados anualmente caíram para cerca de R$ 32 milhões por ano, recuando durante a pandemia para R$ 21 milhões.
Nos últimos anos, houve ainda relatos de artistas que não conseguiram se apresentar em unidades do CCBB por causa de temáticas sensíveis ao governo anterior. “A autonomia para trabalhar e a forma de colocar todas as expressões e diversidades que o Brasil merece e representa estão totalmente alinhadas com o Ministério da Cultura e o [novo] governo federal, estamos bem felizes”, diz Figueiró.
Retomada de políticas culturais
Os desafios do Ministério da Cultura vão muito além da recriação de uma pasta extinta por um governo que trabalhou rotineiramente contra a cultura. Abrangem também, além da retomada de políticas culturais, trabalhos visando à ressignificação do conceito de cultura para pessoas que, em meio a tantas manipulações, tiveram visões distorcidas sobre esse elemento que, nas palavras da ministra Margareth Menezes, é “a alma da nação e a alma de um povo”.
Ao receber jornalistas para um café da manhã nesta semana, a ministra falou sobre os primeiros dias no cargo, antecipou projetos e enumerou alguns dos principais desafios a serem enfrentados. “Recriamos há 14 dias o ministério. O que encontramos foram projetos captados e liberados, porém bloqueados desde 2020 sem qualquer justificativa.
“O nível de desmonte foi gigantesco” e atingiu todas as áreas, afirmou o secretário executivo Márcio Tavares. “A Secretaria de Especial de Cultura não executava nenhuma política cultural. Tudo estava parado há anos, exceto emendas parlamentares daqueles que eram mais próximos do governo anterior”, disse.
Como consequência, acrescentou a ministra, “em poucos anos, o Brasil caiu da 7ª para a 13ª posição como país que mais influencia a cultura no mundo”.
Perguntada sobre “a pior coisa encontrada no ministério”, Margareth Menezes disse que o que mais mexeu com ela foram os depoimentos que ouviu dos servidores. “Ouvi muitos depoimentos de assédio moral, inclusive de gente proibida de usar máscara.”
Ministra e secretário mostraram-se satisfeitos com o orçamento de R$ 5 bilhões previstos para a pasta.”É um orçamento histórico o deste ano, e nos dará condições de recuperar a estrutura do ministério, bem como de retomar um conjunto de políticas”, disse Margareth.
Ela destacou a volta do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura, enquanto ferramenta de democratização e debate para as políticas culturais. “Esta era uma comissão democrática, que passou a ter [suas atribuições] feitas por uma pessoa apenas, mas vamos retomar essa apreciação que era feita pela sociedade”.
Ainda no âmbito da participação popular nas políticas culturais, o ministério pretende elaborar um “cronograma de conferências”. A expectativa é que o primeiro encontro ocorra de forma presencial entre novembro e dezembro deste ano. As informações são jornal Valor Econômico e da Agência Brasil.
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