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Política Para aquecer suas redes sociais políticos investem no baixo nível no Congresso Nacional

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O uso do espaço do Congresso com o objetivo de mobilizar bases eleitorais sempre existiu, mas ganhou impulso com as mídias sociais.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os primeiros dois meses de trabalhos no Congresso têm sido marcados por troca de ofensas entre bolsonaristas e integrantes da base de Lula, rebaixando o nível do debate legislativo. Nos últimos dois dias, tanto senadores quanto deputados travaram bate-bocas, com direito a menção a arma de fogo e registro de ocorrência na delegacia. O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já reprovou publicamente manifestações agressivas e classificou como “deprimente” uma sessão da Casa. Especialistas afirmam que parlamentares estão reproduzindo no Congresso a lógica das redes sociais.

Congressistas recorrem a expedientes como discursos polêmicos e xingamentos de olho na repercussão na internet. Isso ocorre sobretudo no vácuo de discussões de propostas mais relevantes na Câmara e no Senado, como agora. Com essa estratégia, além de “bombarem” seus próprios canais, atiçam a militância mais radical, que costuma se abastecer e compartilhar esse tipo de conteúdo.

Da CCJ para a delegacia

Um dos casos de maior repercussão envolveu o deputado Alberto Fraga (PL-DF), representante da bancada da bala, , e dois mineiros de primeiro mandato: o governista André Janones (Avante) e o bolsonarista Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do país —ambos reúnem milhões de seguidores nas plataformas. Na quarta-feira (28), ao citar uma ofensa que Janones havia dirigido a Ferreira, Fraga fez referência à sua arma.

“Não uso chupeta, uso revólver, pistola”, disse, em sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Janones afirmou que estava sendo ameaçado de morte e registrou boletim de ocorrência em uma delegacia.

A rixa entre eles havia começado na terça-feira, na mesma CCJ, durante uma audiência com o ministro da Justiça, Flávio Dino, notabilizada por troca de ofensas e acusações. Na ocasião, Janones chamou o colega de “chupetinha”, termo homofóbico usado por adversários contra Ferreira:

“Chupeta falou, presidente. Chupetinha.”

O deputado PL chegou a levantar para ir em direção ao adversário. A cena foi interrompida por um grito da Laura Carneiro (PSD-RJ): “Acabou a palhaçada, volta todo mundo para o seu lugar!”

Ferreira já havia se envolvido em uma controvérsia em 8 de março, Dia da Mulher. Na ocasião ele subiu à tribuna usando uma peruca e, em tom irônico, se apresentou como Nicole para fazer discurso transfóbico:

“As mulheres estão perdendo espaço para homens que se sentem mulheres.”

Em reação, o presidente da Câmara anunciou, nas redes sociais, que “o plenário não é palco para exibicionismo e muito menos discursos preconceituosos”.

Mobilizar eleitores

Pesquisador e professor da Universidade Federal Fluminense, Viktor Chagas diz que o uso do espaço do Congresso com o objetivo de mobilizar bases eleitorais sempre existiu. Porém, ganhou impulso com as mídias sociais.

“É o que alguns pesquisadores chamam de midiatização da política, isto é, um estágio em que os políticos incorporam a lógica da mídia e passam a fazê-la refém de seus interesses. É o que fazia Bolsonaro com suas entrevistas no cercadinho. E o que fazem políticos bolsonaristas como Nikolas Ferreira com suas intervenções em plenário com a intenção de polemizar” analisa Chagas.

Assim como na Câmara, a CCJ do Senado se tornou uma arena de ataques nesta semana. Na quarta-feira (29), Sergio Moro (União-PR) e Fabiano Contarato (PT-ES) trocaram insultos. Ao comentar um projeto que proíbe a contratação de condenados por crimes hediondos, o petista aproveitou para criticar a atuação de Moro quando era juiz da Lava-Jato:

“Não soube se portar como juiz, violou o princípio da paridade de armas, do contraditório e ampla defesa, violou o que é mais sagrado no processo penal. Os fins não justificam os meios.”

Moro rebateu, mirando o presidente Lula e outros correligionários de Contarato:

“Não vou falar aqui do roubo da Petrobras de R$ 6 bilhões nos governos do PT. Não vou falar que a condenação do presidente da República foi feita não só por mim, mas por três juízes em Porto Alegre, por cinco juízes no STJ e a anulação depois foi por motivos formais. Ninguém declarou o presidente inocente.”

PT x Lava-Jato

O tema já havia gerado embate entre Moro e outro petista, o senador Rogério Carvalho (SE), no último dia 15. Carvalho disse que Moro teve “uma atuação criminosa” na Lava-Jato, e o ex-juiz lembrou os casos de corrupção do PT.

No início do mês, as ofensas partiram do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ao criticar deputados da base contrários a uma CPI sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, ele se referiu a deputados da esquerda como “larápios”.

“O que nós queremos é a verdade, para não permitir que esses larápios aqui da esquerda, que me olham agora, venham fazer narrativa para enganar você do povo que não sabe como a banda toca aqui.”

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