Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de abril de 2023
A ExxonMobil pagou a seu CEO US$ 36 milhões em 2022, 52% a mais que em 2021 e mais que o dobro do que em 2020, depois de a guerra da Rússia contra a Ucrânia ter ajudado a trazer lucros recorde para as petrolíferas e grandes aumentos a seus principais executivos.
A petrolífera americana deu a Darren Woods US$ 25 milhões em ações em 2023, em comparação aos US$ 13,5 milhões em 2021, segundo documentação enviada às autoridades reguladoras na quinta-feira. Ele também ganhou uma bonificação em dinheiro de US$ 6,4 milhões, “alinhada com o desempenho do lucro recorde”, de acordo com a documentação.
A remuneração de Woods se soma à tendência de altos pagamentos para executivos do setor, depois da forte alta da cotação do petróleo em 2022. Ben van Beurden, ex-executivo-chefe da Shell, recebeu um total de 9,7 milhões de libras esterlinas (US$ 12 milhões) em 2022, 53% a mais do que em 2021, depois de a petrolífera ter registrado lucro recorde de US$ 40 bilhões.
A remuneração do CEO da BP, Bernard Looney, mais do que dobrou, para 10 milhões de libras em 2022, depois de a empresa britânica ter apresentado lucro recorde de US$ 28 milhões. O pagamento a Looney poderia até ter sido maior, mas a BP informou que seu conselho de administração se valeu de seu poder para reduzi-lo, em função de quatro mortes ocorridas em instalações da BP em 2022.
O grande aumento nos pagamentos a executivos-chefes de empresas de fontes de energia chega depois de os preços do petróleo e do gás natural terem decolado em 2022, na esteira da invasão da Ucrânia pela Rússia. A guerra alimentou a inflação dos países ocidentais, que chegou aos maiores patamares em várias décadas, e elevou os preços das fontes de energia na Europa para níveis que impactaram o crescimento econômico.
Os altos preços também levaram as grandes petrolíferas a registrar lucros recorde. A ExxonMobil encabeçou a tendência com um lucro de US$ 55,7 bilhões em 2022. As cinco maiores petrolíferas ocidentais do mundo – ExxonMobil, Chevron, Shell, BP e TotalEnergies – somaram lucros de quase US$ 200 bilhões.
Como parte das novas exigências de divulgação salarial da Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), a ExxonMobil informou que a remuneração “realmente paga” a Woods em 2022 foi de US$ 89,7 milhões, reflexo do salto das ações da ExxonMobil. O retorno total aos acionistas da empresa, que inclui dividendos, aumentou 86% em 2022, destacou a empresa.
As bonificações pagas em ações, em geral, representam a maior parte dos pagamentos aos executivos dos EUA. Quase 90% da remuneração “realmente paga” a Woods se refere a ações de venda diferida. As ações da empresa encerraram 2022 cotadas a US$ 110,30, acima dos US$ 61,19 do fim de 2021, segundo a ExxonMobil.
A rival Chevron informou na quarta-feira que o pagamento a seu CEO, Michael Wirth, aumentou 4%, para US$ 23,6 milhões em 2022. Sua remuneração “realmente paga” foi de US$ 86,7 milhões, também refletindo a alta das ações. As informações são do jornal Financial Times.
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