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Política “Tiradentes é golpista e Mussolini, motivacional”, compartilha um dos principais nomes da direita para ocupar o “vácuo” de Bolsonaro

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Falas de Zema suscitaram críticas entre governadores da região, deputados da base e ministros do governo Lula. (Foto: Reprodução/Instagram)

Um dos principais nomes da direita para ocupar o “vácuo” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se tornou inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), compartilha mensagens nas redes sociais que são alvos de críticas. As gafes de Zema incluem erros históricos e até matemáticos.

No sábado passado (1º), um dia após o julgamento de Bolsonaro no TSE, Zema publicou uma frase atribuída a Benito Mussolini, ditador italiano morto em abril de 1945. “Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexa se torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade do indivíduo”, diz o texto postado em seu story no Instagram ao lado da legenda de “bom dia”.

A assessoria de Zema justificou a escolha afirmando que o governador é um “colecionador de frases motivacionais” e que o compartilhamento da citação do ditador fascista é um “alerta sobre os riscos de um Estado inchado”.

“Golpe”

No feriado de Tiradentes, comemorado em 21 de abril para relembrar a execução de Joaquim José da Silva Xavier, um dos líderes do movimento separatista da Inconfidência Mineira, uma postagem do governo de Minas classificou o episódio histórico como um “golpe”.

A publicação também afirmou que os inconfidentes, que são considerados heróis pela historiografia oficial mineira, teriam cometido e confessado crimes na sua luta pela autonomia de Portugal.

A postagem provocou críticas de historiadores. Nas redes sociais, a deputada estadual Lohanna França (PVMG) questionou Zema. “Você está chamando Tiradentes e os Inconfidentes de criminosos. É isso mesmo?”, perguntou. Depois, o governo trocou a palavra “crimes” por “atos”. O termo “golpe”, porém, permaneceu na legenda.

Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Zema errou uma conta básica de matemática, ao dizer que a metade de 513, que é número de deputados na Casa, era 561. Ao tentar se corrigir, cometeu outro equívoco, falando que o resultado era 556. Após tropeçar, o governador respondeu, no final da entrevista, o número correto: 255.

Mudança

Com Bolsonaro inelegível, o PL busca soluções para substituir o ex-chefe do Executivo e retomar o Palácio do Planalto nas eleições de 2026. O governador de Minas Gerais é um dos nomes que interessam muito ao Partido Liberal.

Zema se aproximou do ex-presidente desde a campanha que elegeu ambos em 2018 por causa de um discurso que tinha elementos marcantes de antipetismo e desvinculação com a política e os políticos tradicionais. A ligação entre o governador de Minas e o ex-presidente foi se solidificando durante o primeiro o mandato de Zema, com elogios constantes ao liberalismo e ao conservadorismo. O alinhamento se mostrou fortalecido durante a pandemia, quando Zema evitou, em várias ocasiões, entrar em conflito com Bolsonaro.

Agora, com Bolsonaro – ao que tudo indica – fora do jogo eleitoral, Zema se tornou um nome fortíssimo para a direita. Até porque um concorrente de peso seria Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Mas, como ele está em seu primeiro mandato, analistas políticos acreditam que seria prematuro para Tarcísio se lançar como candidato a presidente neste momento.

A cúpula de líderes nacionais do PL está otimista quanto à ida de Romeu Zema para o partido. Em Minas Gerais, porém, há mais prudência para falar do tema. O presidente do diretório mineiro do PL, Zé Santana, ex-deputado federal e ex-deputado estadual, admite as conversas com o governador, mas afirma que não há nada definido.

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