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Economia Veja o que se sabe sobre o apagão nacional que atingiu 25 Estados e o Distrito Federal

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Âmbar, do Grupo J&F, participou de leilão emergencial para reforçar atendimento ao sistema elétrico do País em 2021, mas não cumpriu prazos. (Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

Um apagão afetou todas as unidades da federação na manhã dessa terça-feira (15), com exceção de Roraima. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Ministério de Minas e Energia (MME), uma falha aconteceu no Sistema Interligado Nacional às 08h31 da manhã. Um software de proteção teria desligado o sistema elétrico. O MME informou que o sistema nacional de energia foi restabelecido por volta das 14h30.

Veja o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o apagão nacional:

Caso

O ONS identificou uma ocorrência às 8h31 dessa terça, que levou a uma “separação elétrica” no sistema interligado. Na prática, as regiões Norte e Nordeste do País foram desconectadas do Sul e Sudeste.

Com o incidente, o órgão realizou uma “ação controlada” — ou seja, proposital — para evitar que o problema na rede se espalhasse.

“Houve pelo menos 16 mil MW de interrupção de energia. A interrupção no Sul e no Sudeste foi uma ação controlada para evitar propagação da ocorrência”, diz o ONS.

Apenas Roraima não registrou falta de energia pela manhã. Trata-se, inclusive, do único Estado que não é ligado ao Sistema Interligado Nacional.

Causa

Os técnicos do ONS e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já têm uma explicação para o apagão que atingiu diversas regiões do País durante seis horas.

De acordo com essa explicação, que está sendo prestada a executivos da Aneel e de empresas de energia e ainda deve ser divulgada oficialmente, um software de proteção chamado ERAC (sigla para Esquema Regional de Alívio de Carga) desligou o sistema diante de uma brusca alteração de carga.

Esse software detecta quando há sobrecarga ou um déficit acentuado e tranca a linha de transmissão para que essas alterações não se espalhem pelo sistema, que é interligado em todo o Brasil.

O que os técnicos já sabem é que o ERAC desativou uma uma parte do sistema elétrico na manhã dessa terça quando se tentava transferir do Nordeste para o Norte do Brasil uma alta carga de energia.

Três fontes envolvidas na gestão da crise explicaram que, nessa hora, havia mais energia eólica e solar entrando na linha de transmissão do Ceará do que hidrelétrica e termelétrica, por exemplo.

A seguir, a frequência na rede caiu de 60 Hertz para 59 Hertz e depois para 58 Hz – o que significa que há mais carga do que a rede consegue suportar, o que poderia provocar sobrecarga.

Foi aí que o ERAC entrou em ação e desativou parte do sistema.

A razão pela qual o fornecimento demorou para ser retomado tem a ver com o fato de que a energia eólica e a solar precisam de um impulso de carga de outras fontes de energia para ganhar tração e serem distribuídos rapidamente – no exemplo adotado pelos técnicos, é um mecanismo semelhante ao das “chupetas” que se aplicam em baterias de carros para fazer com que elas funcionem.

Impactos

Com a interrupção no fornecimento de energia, uma série de problemas foram registrados ao redor do País, tais como:

*Problemas em linhas de metrô;
*Interrupção no fornecimento de água de algumas cidades;
*Semáforos apagados, que geraram caos no trânsito;
*Escolas precisaram dispensar alunos mais cedo em algumas localizações;
*Comércios tiveram prejuízos;
*Hospital suspende consultas.
*Problemas em linhas de metrô

Último apagão

O último apagão que afetou a maior parte das regiões do Brasil aconteceu em 2014, quando um curto-circuito em uma linha de transmissão deixou Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste sem energia. À época, ao menos 11 Estados foram impactados.

Naquele ano, o ONS havia informado que a “perturbação no Sistema Interligado Nacional” ocorreu entre o município de Colinas (TO) e a região de Serra da Mesa (GO), provocando a interrupção do fornecimento de cerca de 5 mil MW (megawatts).

Esse, no entanto, não foi a maior interrupção de energia registrada no País. Em 2009, um apagão afetou 18 Estados e algumas cidades do Paraguai, deixando quase 60 milhões de pessoas sem energia elétrica por seis horas.

Nesse caso, o motivo foi um curto-circuito que, provocado possivelmente por um raio, desligou três linhas de alta tensão que distribuíam a energia produzida na usina de Itaipu para as principais regiões do País. Como consequência, a hidrelétrica binacional foi desligada.

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