Segunda-feira, 05 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Acontece Projeto Luz na Escuridão ensina alunos deficientes visuais a fotografar

Compartilhe esta notícia:

Na foto, o fotógrafo e idealizador do projeto, Nauro Junior. FOTO: LUCAS UEBEL

Uma angústia transformou-se em história de solidariedade. Há alguns anos, enquanto o fotógrafo Nauro Junior e a sua esposa Gabriela Mazza aguardavam o nascimento de suas duas filhas, ele assistiu ao filme Adorável Professor, protagonizado pelo ator Robin Williams. Na história, o filho do maestro Richard Dreyfuss é surdo. Durante as cenas, Nauro sentia-se desconfortável com o fato de Richard não poder mostrar ao filho o seu talento musical.

Refletindo sobre a história, Nauro chegou a uma questão: “E se minhas filhas nascessem cegas? Como eu mostraria minhas fotografias?”. A partir daí, ele resolveu buscar a Associação Escola Louis Braille, de Pelotas, e de alguma maneira contribuir no processo de aprendizagem dos alunos, todos deficientes visuais. Amigo de dois grandes fotógrafos cegos, o francês Evgen Bavcar e o paulista Teco Barbero, resolveu aprender técnicas de fotografia para pessoas que não enxergam.

Em 2015, 20 alunos da Louis Braille passaram a integrar o projeto Luz na Escuridão, onde durante 12 meses aprenderam e se inseriram no mundo da fotografia. E como isso foi possível? Nauro explica: “As imagens não são construídas pelos olhos. Quando a gente sonha, criamos imagens com os olhos fechados. Então quem constrói a imagem é nossa subconsciência, a nossa inteligência”.

Derrubando as barreiras de preconceito que surgiam em sua volta, Nauro decidiu que mostraria que a visão é apenas um dos sentidos dos seres humanos. “Nós temos muitos sentidos e enxergamos o mundo não só através de um deles. Existe várias formas de construir uma imagem sem usar os olhos”, afirma. Conforme o fotógrafo, 80% das informações que chegam até os seres humanos são pelos olhos, mas apenas 15% delas são absorvidas. “Isso porque não nos aprofundamos, mas também mostra que não é necessário ter a visão para obter informação”, acrescenta.

O equipamento utilizado durante as aulas eram os mais simples possível. “Os alunos levavam o material que tinham em casa e também utilizavam minha máquina semi-profissional 5D”, explica Nauro. Uma das técnicas utilizadas era a fotografia de alimentos: “Eles tocavam naquilo que queriam registrar e depois fotografavam”. Cada um dos 20 alunos criou um perfil no Facebook e, na rede social, puderam mostrar a amigos e desconhecidos seu talento.

Um dos momentos mais marcantes para Nauro foi um dia em que uma de suas alunas perguntou se poderia fotografar o vento. Ele levou a turma inteira até a praia de Laranjal/RS. “Eles puderam conhecer várias coisas que interagiam com o vento, entre elas o mar. E eu disse:  ‘agora vocês podem fotografar o vento’. Foi um dos dias mais alegres do projeto”, relembra.

O futuro através das lentes

O desejo do fotógrafo não é de transformar seus alunos em fotógrafos profissionais, mas possibilitar a interação com o mundo através da imagem. Em 2016, a meta é formar uma turma com crianças. A equipe, composta por fotógrafos, assim como Nauro, auxiliam voluntariamente o projeto Luz na Escuridão. Ele explica que o nome da iniciativa não fala da escuridão de não enxergar e sim, da escuridão da indiferença.

Da primeira turma, 13 alunos se formaram neste ano: “Todos convictos de que estavam fazendo algo real. Aprenderam que não é a máquina que faz a foto. Ela é um ser inanimado que fica parado em um canto, até que alguém a toque e faça a sua vontade através dela”. Os trabalhos produzidos ao longo do ano foram expostos na galeria da Sociedade Científica Sigmund Freud, em Pelotas.

Um dos resultados do projeto foi o convite para palestrar em um congresso de inclusão no Rio de Janeiro, em março do ano que vem. E Nauro comemora: “No início é difícil mostrar que esse trabalho é real. Mas depois da explicação, as pessoas entendem que tudo pode ir bem mais além do que enxergamos”.

Prêmio

Nesta terça-feira (01), durante a celebração do 67º aniversário do Sinepe-RS (Sindicato do Ensino Privado Gaúcho), o projeto recebeu bronze na categoria Participação Comunitária nos Prêmios Sinepe-RS 2015.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Justiça Federal condena dois administradores do Banco Matone
Farsul, índices do agronegócio agosto 2015
Sistema Farsul traz ao RS um dos maiores pesquisadores da pecuária mundial
Pode te interessar