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Mundo Escalada militar em Gaza será “catastrófica” para residentes, diz alto comissário da ONU

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Bombardeios pioram crise humanitária. (Foto: AFP)

Qualquer escalada ou mesmo continuação da ação militar de Israel na Faixa de Gaza será “catastrófica” para a população local, afirmou Filippo Grandi, alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados. O diplomata já havia dito que o conflito causaria “mais sofrimento aos civis, tanto israelenses quanto palestinos”.

“Posso afirmar com certeza que qualquer nova escalada ou mesmo continuação das atividades militares será simplesmente catastrófica para o povo de Gaza”, afirmou Grandi durante conferência de imprensa realizada em Tóquio.

A fala do comissário se deu no momento em que o principal hospital de Gaza está “à beira do colapso”, segundo a organização Médico Sem Fronteiras (MSF). O al-Shifa, de acordo com a instituição, só possui combustível suficiente para seus geradores de energia por mais 24 horas. O local é um dos poucos no enclave palestino que ainda tem eletricidade.

Além de servir como abrigo para deslocados, o hospital está tratando milhares de feridos, incluindo os que vieram da explosão do hospital al-Ahli. Coordenadora médica da MSF para a Palestina, Guillemette Thomas afirmou que “muitos pacientes morrerão nas próximas horas, porque está se tornando impossível conseguir atendimento médico”.

“Pacientes com doenças crônicas, como diabetes e câncer, e mulheres grávidas também estão em risco devido à escassez geral de medicamentos”, acrescentou.

O porta-voz do ministério da Saúde palestino atualizou para 4.137 o número de mortos na Faixa de Gaza desde o começo da guerra, no último dia 7 de outubro. Desse total, 1.661 são crianças, segundo o novo balanço divulgado nesta sexta-feira. Porta-voz do ministério, Ashraf al-Qudra informa que outros 13,2 mil estão feridos na região.

Ataque terrestre

Em visita às tropas posicionadas na fronteira com a Faixa de Gaza, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, avisou aos homens da Brigada Givati: “Vocês estão vendo Gaza de longe. Em breve, a enxergarão por dentro. A ordem virá”.

O chefe do Comando Sul das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Yaron Finkelman, declarou que a ofensiva terrestre começará em breve, e será “longa, difícil e intensa”. O premiê Benjamin Netanyahu também esteve com os militares na fronteira: “Venceremos com todas as nossas forças. Israel está com vocês. Vamos atacar fortemente.”

Na quinta-feira (19), o Hamas acusou as IDF de bombardearem a igreja greco-ortodoxa de São Porfírio, a mais antiga de Gaza ainda em atividade. O Ministério do Interior palestino, comandado pelo Hamas, citou “muitos mártires e feridos”.

A inteligência norte-americana informou que o ataque ao Hospital Batista Al-Ahli Arab, na Cidade de Gaza, na terça (17), deixou entre 100 e 300 mortos. Em um desdobramento sem precedentes, um navio da Marinha norte-americana derrubou mísseis e drones disparados por rebeldes houthis no Iêmen, possivelmente direcionados contra Israel.

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