Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de novembro de 2023
O presidente norte-americano Joe Biden está atrás do ex-presidente Donald Trump em cinco dos seis Estados mais decisivos na disputa pela presidência dos Estados Unidos, a um ano de os americanos irem às urnas. Pesquisa do jornal The New York Times e da Universidade Siena divulgada no domingo (5) mostra que o democrata enfrenta dois grandes obstáculos para seguir na Casa Branca: convencer os eleitores de que sua idade não é um problema e a profunda insatisfação da maioria deles em relação a como o atual governo toca a economia americana.
Biden perde para Trump, seu mais provável rival no flanco republicano, por margens de três a 10 pontos percentuais em Nevada, Arizona, Geórgia, Michigan, e Pensilvânia. O democrata está à frente apenas em Wisconsin, por dois pontos percentuais. Na média, nos seis estados decisivos – e em todos Biden venceu Trump em 2020 – o republicano bate o democrata por 48% a 44%.
Foram entrevistados, por telefone, 3.662 eleitores registrados, de 22 de outubro a 3 de novembro. Quando todos os Estados são combinados, a margem do erro é de 1,8 ponto.
Impressiona o tamanho do descontentamento com o atual governo. A maioria dos eleitores responde que as políticas de Biden os “prejudicaram pessoalmente”. E a coligação multirracial e multigeracional que elegeu Biden parece especialmente desgastada.
Os grupos demográficos que apoiaram Biden por margens esmagadoras em 2020 são agora mais disputados pelos republicanos, com dois terços do eleitorado total afirmando que o país ruma na direção errada. Eleitores com menos de 30 anos favorecem Biden por apenas 1%. Sua vantagem entre os eleitores de origem latino-americana caiu para a casa de um dígito e sua frente nas grandes áreas urbanas é metade da que Trump abriu nas regiões rurais. Embora as mulheres ainda prefiram Biden, os homens apoiam Trump por margem duas vezes maior, revertendo a vantagem de gênero que alimentou tantas conquistas democratas nos últimos anos.
E os eleitores afro-americanos – há muito uma fonte de votos para os democratas e para Biden – registam agora 22% de apoio a Trump nestes estados, nível jamais visto na política presidencial para um republicano.
Num sinal notável de um possível realinhamento étnico entre os dois partidos, quanto mais diversificado o Estado decisivo, mais atrás Biden aparece na pesquisa, liderando apenas no mais branco dos seis. Trump lidera por 10 pontos em Nevada e cinco no Arizona, estados com grande população hispânica, seis na Geórgia, com substancial eleitorado afro-americano, cinco em Michigan, e quatro na Pensilvânia.
Rejeição é alta
Biden e Trump são profundamente – e igualmente – impopulares, de acordo com a pesquisa. Mas os eleitores que afirmaram esmagadoramente que o país estava no caminho errado descarregam suas frustrações no presidente de forma enfática.
“O mundo está desmoronando sob Biden”, diz Spencer Weiss, especialista em subestações elétricas de 53 anos de Bloomsburg, Pensilvânia, que apoiou Biden em 2020, mas agora pretende votar em Trump, embora ainda tenha algumas reservas.
“Prefiro um líder que seja um modelo positivo para o país. Mas pelo menos acho que Trump é inteligente”, diz.
Biden ainda tem um ano para reverter a situação. Os indicadores econômicos estão em alta, mesmo que os eleitores não concordem com eles. E Trump continua sendo uma figura polarizadora. Os conselheiros do presidente, que tem muito dinheiro para a campanha, fazem questão de lembrar que os democratas tiveram sucesso ao limitar as tidas como inevitáveis perdas do partido nas eleições de meio de mandato, em 2022, apesar dos baixos índices de aprovação de Biden.
Ainda assim, a pesquisa divulgada no domingo mostra como Biden entrará em 2024 com enorme déficit de apoio, mesmo com Trump indiciado por acusações criminais e com prováveis batalhas nos tribunais nos próximos meses. Se os resultados da pesquisa fossem os mesmos em novembro próximo, Trump provavelmente obteria mais de 300 votos no Colégio Eleitoral, muito acima dos 270 necessários para voltar à Casa Branca.
Outro sinal amarelo para os democratas é que os eleitores, em todos os níveis de renda, dizem que as políticas econômicas implantadas por Biden em seu primeiro mandato os “prejudicaram pessoalmente”. E a resposta é oposta no caso de Trump. Trump tem uma vantagem de 17 pontos por tê-los ajudado e Biden uma desvantagem de 18 pontos por tê-los prejudicado.
Para Biden, que completa 81 anos no fim do mês, ser o presidente mais velho da história americana é, também, um problema cada vez mais evidente. Uma esmagadora maioria de 71% apontou na pesquisa que ele é “muito velho” para ser um presidente eficaz – opinião partilhada em todos os grupos demográficos e geográficos na sondagem, incluindo impressionantes 54% de quem diz que votará nele. Em contraste, apenas 19% dos eleitores de Trump, que tem 77 anos, o consideravam demasiadamente velho. Do eleitorado geral, 39%. As informações são dos jornais O Globo e The New York Times.
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