Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de novembro de 2023
A decisão do embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, de desembarcar nesta quarta (8) no Congresso para um ato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e alguns parlamentares de extrema direita foi interpretada pelo governo Lula como uma evidente provocação – mas não suscitará uma resposta imediata.
A pauta da reunião não foi divulgada, mas ao final do encontro alguns deputados informaram que o embaixador relatou a situação da guerra no Oriente Médio e apresentou imagens “bem fortes e impactantes” do massacre que vem sendo feito pelo grupo terrorista Hamas ao povo israelense.
O embaixador de Israel cruzou de novo uma linha que não se cruza em diplomacia. Daniel já foi chamado a prestar esclarecimentos ao Palácio do Itamaraty por declarações polêmicas ou equivocadas por ao menos três vezes, mas mantém o que diplomatas e auxiliares do presidente definem como “uma rota absolutamente equivocada”.
A manobra é também vista como uma tentativa de Bolsonaro de argumentar que foi seu encontro com o embaixador que desbloqueou a saída dos brasileiros. A cronologia desmente. Na última semana, o governo brasileiro se reuniu com o chanceler de Israel e foi indicado que a inclusão dos nomes poderia ocorrer até meados desta semana. Como houve dois atrasos na retirada de pessoas que estavam em listas prévias, o processo foi inteiro afetado.
O desconforto é tal que muitos avaliam, internamente, no Planalto, que ele “não é interlocutor” para essa crise. A ordem, porém, é não responder com o fígado, emocionalmente. Até que o grupo de 34 pessoas que tentam deixar Gaza desembarque no Brasil, a ordem é por pragmatismo.
O ministro de Relações Internacionais, Mauro Vieira, enviou contato ao seu contraparte em Israel ontem, cobrando novamente uma posição sobre a saída dos brasileiros. A promessa, feita diretamente a Vieira, era a de liberação do grupo na quarta, o que não aconteceu.
Aliança com Bolsonaro
O governo de Benjamin Netanyahu, com a derrota de Bolsonaro, perdeu um precioso aliado na América Latina. O ex-presidente foi o único chefe de governo brasileiro que optou por votar ao lado dos EUA em resoluções na ONU, em defesa de Israel.
Violando resoluções do Conselho de Segurança, o Brasil ainda sinalizou que mudaria sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, o que implicaria reconhecer que a cidade sagrada é a capital de Israel. A mudança jamais ocorreu.
Netanyahu viajou até a posse de Bolsonaro e, ao longo dos quatro anos de mandato do brasileiro, foram diversas as viagens e encontros entre ministros dos dois países.
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