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Geral Saiba quem inventou o horário de verão, adotado pela primeira vez há mais de 100 anos

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O Horário Brasileiro de Verão foi instituído pelo então presidente Getúlio Vargas, pela primeira vez, em 1° de outubro de 1931. (Foto: Reprodução)

Era uma vez um construtor de classe média que morava no subúrbio de Chislehurst, no sudeste de Londres. Seu nome era William Willett (1856-1915). E, não fosse por ele, os britânicos – e um quarto do planeta, incluindo os Estados Unidos – talvez nunca tivessem adotado o horário de verão.

Willett adorava espaços ao ar livre. Ele andava a cavalo em uma manhã de verão em 1905, quando observou que muitas cortinas permaneciam fechadas, evitando que a luz do sol entrasse nas casas.

Ele teve então uma ideia: por que não adiantar os relógios antes do início do verão?

Willett não foi o primeiro a idealizar essa medida. Civilizações antigas já reduziam e aumentavam a duração dos dias, dependendo da estação. Na Roma Antiga, por exemplo, uma hora poderia durar 44 minutos no inverno e 75, no verão.

Em 1895, o entomólogo neozelandês George Hunter propôs uma mudança de duas horas, mas sua ideia foi ridicularizada. E, seis anos depois, em 1901, o rei britânico Eduardo 7º (1841-1910) atrasou os relógios em 30 minutos em Sandringham, no Reino Unido (onde fica uma das residências reais), para poder passar mais tempo caçando.

Mas coube a Willett fazer com que o horário de verão fosse finalmente adotado.

Em 1907, ele publicou um panfleto independente intitulado Waste of Daylight (“Desperdício da Luz do Dia”, em tradução livre), defendendo que os relógios fossem adiantados no Reino Unido quatro vezes em abril, em 20 minutos a cada vez, retornando da mesma forma ao horário normal em setembro.

Willett defendia que, além de aumentar as oportunidades de lazer, a medida reduziria os gastos com iluminação.

Seus apoiadores incluíam políticos importantes – entre eles, dois futuros primeiros-ministros britânicos: David Lloyd George (1863-1945) e um jovem chamado Winston Churchill (1874-1965), na época presidente da Câmara de Comércio.

O criador de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle (1859-1930), também manifestou seu apoio durante as discussões do projeto de lei do horário de verão, embora ele desaprovasse os incômodos ajustes parciais de Willett.

“Uma única alteração de uma hora seria um número redondo e causaria menos confusão”, afirmou Conan Doyle ao comitê que examinava a proposta.

Entre os seus oponentes, estava o então primeiro-ministro Herbert Asquith (1852-1928). O projeto de lei acabou rejeitado em 1909 por uma pequena margem e as propostas apresentadas posteriormente tiveram o mesmo destino.

Mexer com o tempo, aparentemente, era uma mudança radical demais para a época, mesmo com um governo liberal de caráter reformista. Mas Willett era incansável e continuou a defender ardentemente o horário de verão no Reino Unido, na Europa continental e nas Américas, até sua morte por influenza, em 1915.

Apenas um ano depois da morte de Willett, uma versão revisada da sua proposta foi finalmente aceita, impulsionada pela circunstância mais extenuante de todas: a guerra.

Dois anos após o início da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido sofria séria escassez de carvão, a principal fonte de energia para as indústrias e residências do país.

“Além do aumento da demanda para abastecer a Marinha, as ferrovias e a indústria armamentista, o Reino Unido precisava fornecer carvão para os aliados, cujas minas foram tomadas pela Alemanha, sem falar nos milhares de mineiros que se apresentaram como voluntários para a guerra”, conta o professor de história David Stevenson, da London School of Economics.

As ideias de Willett prometiam um alívio, com noites mais longas e menos demanda de iluminação a carvão.

A Alemanha aprovou a lei do horário de verão no dia 30 de abril de 1916 e o Reino Unido adotou a mesma medida logo em seguida, em 17 de maio. Esse tipo de imitação era comum, segundo Stevenson.

“O Reino Unido vinha tomando [ideias] emprestadas da Alemanha há muito tempo”, explica o professor. “Muitos políticos e intelectuais britânicos eram fascinados pelo país, como um exemplo de eficiência nacional superior.”

Segundo a nova lei, os relógios seriam adiantados em uma hora à frente do horário de Greenwich (GMT, na sigla em inglês), durante o horário de verão britânico.

Vários outros países europeus acompanharam rapidamente a medida, além dos Estados Unidos (que criaram a famosa expressão “adiantar na primavera, retroceder no outono”), Uruguai, Nova Zelândia, Chile e Cuba.

O Horário Brasileiro de Verão foi instituído pelo então presidente Getúlio Vargas, pela primeira vez, através do Decreto nº 20.466, de 1° de outubro de 1931, com vigência de 3 de outubro de 1931 até 31 de março de 1932. Sua adoção foi posteriormente revogada em 1933, tendo sido sucedida por períodos de alternância entre sua aplicação ou não, e também por alterações entre os Estados e as regiões que o adotaram ao longo do tempo. As informações são da BBC News e do Ministério de Minas e Energia.

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