Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2024
Em momentos de crise, existem oportunidades que o presidente do Equador, Daniel Noboa, precisa aproveitar. Esta é a opinião do ex-vice-presidente do Equador, Otto Sonnenholzner. O político foi vice-presidente do país entre 2018 e 2020 e se candidatou nas eleições presidenciais do Equador em 2023, obtendo 7% dos votos no primeiro turno, o que não foi suficiente para alavancar sua candidatura ao segundo turno.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Sonnenholzner apontou que Noboa começou bem ao decretar que o ataque dos narcotraficantes a diversas cidades no Equador representa um “conflito armado interno”. O decreto considera as facções como organizações terroristas e autoriza as Forças Armadas do Equador a agir para combater os grupos. Por conta dos ataques de narcotraficantes, 13 pessoas morreram no Equador.
O ex-vice equatoriano avalia que o país necessita de prisões de segurança máxima, com menos detentos e mais fiscalização. “Prisões de segurança máxima são importantes, com mil pessoas no máximo, não mais que isso. Precisamos controlar as prisões. Do jeito que é hoje, os chefes do narcotráfico que estão na prisão têm privilégios, moram em suítes, fazem festas e operam as organizações criminosas de dentro do sistema penitenciário”.
Ele também avalia que o Brasil pode ajudar o Equador a combater o crime organizado. “Precisamos de fato aprender a combater e lidar com este tipo de conflito urbano que não estamos muito acostumados. Seremos gratos com qualquer ajuda neste momento”, diz. “Não podemos tratar isso como um problema interno de cada país.” Leia abaixo alguns trechos da entrevista.
– O que é possível fazer no curto prazo para reduzir a escala de violência no Equador? “Temos uma situação complexa no Equador neste momento. A decisão do presidente Daniel Noboa de declarar que o ataque dos narcotraficantes representa um conflito armado interno foi acertada pois permite que você tenha maior liberdade para usar as capacidades operacionais do Exército junto com a polícia, já que a polícia está sobrecarregada. Além disso, o número de mortes violentas aumentou muito no Equador de 2020 para cá e houve um aumento de crimes como extorsão, sequestro e o uso de assassinos de aluguel. O importante é que estas decisões sejam acompanhadas de uma boa gestão, a parte mais difícil é acabar com as conexões do crime organizado com as instituições do país e acabamos de ver isso claramente em um caso que o Ministério Público revelou há duas semanas um caso chamado ‘metástase’, no qual uma investigação mostrou que as organizações criminosas tem uma relação forte com as forças políticas, com capacidade de comprar juízes e de dominar as prisões. Então tudo isto mostra a gravidade do problema. Precisamos melhorar também o controle das prisões, sem este controle não haverá controle nas ruas. O crime opera dentro do sistema carcerário, não existem prisões de segurança máxima no Equador, no papel elas existem, mas elas não funcionam de verdade e as prisões não estão sob o controle do Estado. As forças do Equador praticamente tomam controle apenas do perímetro externo, o restante está a cargo das organizações criminosas. O Equador precisa de prisões com regimes de segurança máxima e que funcionem, sem cair nas mãos das organizações criminosas. O nosso sistema judicial também foi muito afetado pelas organizações criminosas, precisamos de juízes honestos e precisamos proteger os juízes que estão combatendo o crime organizado. Além disso, o Equador é um dos países que ainda não se recuperou do impacto social e econômico da pandemia da covid-19.”
– E o que o Brasil pode fazer para ajudar? “O Brasil tem muita experiência em conflitos deste tipo, em muitos casos possui experiências bem-sucedidas e acredito que qualquer oferta de ajuda em termos de cooperação e formação é bem-vinda. O Equador nunca teve esse problema, o país sempre foi um país bastante pacífico, então precisamos de fato aprender a combater e lidar com este tipo de conflito urbano que não estamos muito acostumados. Seremos gratos com qualquer ajuda neste momento.”
– Seria necessário uma maior cooperação entre os países da região para lidar com a violência? “Seria necessário que isto ocorresse, o crime organizado não é um problema apenas do Equador, tem muita coordenação internacional. As organizações criminosas dialogam mais do que os próprios políticos. A região precisa lidar com o problema de forma conjunta, precisamos reciclar a maneira que lidamos com isso porque estamos fracassando. Não podemos tratar isso como um problema interno de cada país.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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