Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2024
A crise de segurança que atinge o Equador tomou novas proporções na terça-feira (9), quando uma universidade em Guayaquil e uma emissora de TV local foram invadidas por homens armados com revólveres e bombas. Em meio a esses ataques, um brasileiro foi sequestrado, assim como sete policiais, houve explosões na província de Esmeraldas, e o Ministério da Educação suspendeu as aulas presenciais em todo o país até a próxima sexta-feira (12).
Os ataques acontecem dois dias após a fuga do líder dos Los Choneros, uma das facções criminosas mais temidas do país, da prisão onde cumpria uma pena de 34 anos.
A crise no Equador, que começou com motins em prisões, faz parte de uma onda de violência que vem tomando conta do país desde agosto de 2023, quando a eleição presidencial que deveria ocorrer apenas em 2025 foi antecipada após a dissolução da Assembleia Nacional.
Em agosto, às vésperas da votação, Fernando Villavicencio, um dos candidatos à presidência, foi morto a tiros à luz do dia ao sair de um comício.
Após a fuga de José Adolfo Macías Villamar, conhecido como Fito, chefe de facção criminosa, da prisão, no último domingo (7), o governo do Equador decretou estado de exceção.
Dois dias depois, homens armados invadiram uma universidade e os estúdios do canal de TV estatal TC Televisión, na cidade de Guayaquil, ao vivo, mantiveram pessoas como reféns e um dos invasores chegou a encostar uma arma no pescoço de um apresentador.
Cerca de duas horas depois do ataque, a Polícia Nacional do Equador afirmou em na rede social X (ex-Twitter) que controlou a situação, capturou 13 pessoas que invadiram os estúdios e “estabeleceu a ordem”.
O presidente Daniel Noboa declarou 22 grupos como terroristas.
Paralelamente à invasão, o brasileiro Thiago Allan Freitas, de 38 anos, que havia sido sequestrado no Equador, foi libertado com vida pelos criminosos, relataram nessa quarta-feira (10) familiares dele.
O brasileiro passou mais de 24 horas em cárcere privado. Thiago Allan havia sido capturado na manhã de terça-feira (9) por sequestradores em Guayaquil, onde vive há cerca de três anos.
Thiago Allan foi encontrado por policiais e já voltou para casa. Ainda não havia detalhes de como foi a operação de resgate. Os criminosos chegaram a exigir US$ 8 mil dólares, inicialmente. A Embaixada do Brasil em Quito já foi informada do resgate.
Segundo um dos filhos dele, Gustavo, os sequestradores exigiram por fim um resgate de US$ 3 mil, e a família chegou a pagar com recursos próprios mais de US$ 1 mil. Sem dinheiro, o jovem recorreu às redes sociais para pedir contribuições e soltar o pai dos algozes.
Os filhos de Thiago publicaram uma mensagem no perfil do pai no Instagram: “Muito obrigado pela ajuda, de coração. Já encontraram meu pai. Estamos todos seguros, graças a Deus”.
O Itamaraty também confirmou com autoridades policiais equatorianas a informação de que Thiago havia sido libertado. “O Ministério das Relações Exteriores continua a acompanhar o caso e a prestar a assistência ao nacional brasileiro e a seus familiares”, afirmou a pasta.
– O que é estado de exceção? O estado de exceção no Equador permite que as Forças Armadas vão às ruas apoiar o trabalho da polícia. O decreto é justificado pela grave comoção interna no país. O estado de exceção tem vigência de 60 dias. Nesse período, estão restritos os seguintes direitos no Equador: Direito de locomoção, há toque de recolher entre as 23h e as 5h. Direito de reunião. Direito a privacidade de domicílio e de correspondência (ou seja, não é preciso uma ordem judicial para que as autoridades entrem nas casas das pessoas).
Noboa está no cargo há menos de dois meses. Essa é a primeira vez que o presidente decretou estado de exceção.
– O que é o decreto de “conflito armado interno”? Com a escalada da violência, Noboa também estabeleceu na terça-feira (9) o decreto de conflito armado, que autoriza a intervenção do Exército e da Polícia Nacional no país contra facções criminosas, e ainda: Identifica como organizações terroristas 22 facções criminosas e “atores beligerantes não estatais”; e Determina às Forças Armadas a execução de operações militares para “neutralizar” os grupos criminosos, “respeitando os direitos humanos”. As informações são do portal de notícias G1 e do jornal O Estado de S. Paulo.
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