Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de março de 2024
O país mais rico do mundo é Luxemburgo, na Europa – isso se considerarmos o Produto Interno Bruto (PIB) per capita das economias globais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o PIB per capita de Luxemburgo é de US$ 140,3 mil, no topo do ranking global.
Os Estados Unidos, que têm o maior PIB do mundo, aparece apenas em oitavo lugar nesta lista, com US$ 83 mil – enquanto isso, o Brasil tem um PIB per capita de US$ 11 mil.
– Mas o que isso significa, afinal? Definir o nível de riqueza de um país é uma conta complexa. Com tantos parâmetros disponíveis, a medida mais usada nesses casos é o PIB per capita, mesmo que ele seja incapaz de mostrar as faixas de concentração de renda de um país.
Esse índice é o resultado da soma da produção de bens e serviços de um país em determinado período, dividido pelo número de habitantes daquela região, chegando a uma “média de riqueza” da população local.
Ranking de países mais ricos do mundo:
– Luxemburgo (US$ 140,3 mil);
– Irlanda (US$ 117,9 mil);
– Suíça (US$ 110,2 mil);
– Noruega (US$ 102,4 mil);
– Singapura (US$ 91,7 mil);
– Islândia (US$ 87,8 mil);
– Qatar (US$ 84,9 mil);
– Estados Unidos (US$ 83 mil);
– Dinamarca (US$ 72 mil);
– Macau (US$ 70 mil).
Lacunas
Essa conta, por si só, esconde lacunas que podem existir sobre a distribuição e concentração de renda em um país, ou seja, se há ou não muita renda concentrada em poucas pessoas.
“O PIB per capita é uma medida imperfeita, com um monte de falhas. Desigualdade é uma coisa muito dificultosa de se medir”, aponta Samuel Pêssoa, chefe de pesquisa da JBB e associado da FGV-IBRE.
O pesquisador explica que, de qualquer forma, indicadores mais complexos e que expressam melhor a qualidade de vida têm alta correlação com o PIB per capita e que, por isso, ele ainda é usado nesses casos – mas com certa parcimônia.
É aí que entram outros dados, como o índice de Gini e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) explica que o índice de Gini varia de zero a cem. Quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a situação econômica de uma nação. Na outra ponta, quanto maior o número, mais a renda está concentrada em pouquíssimas pessoas naquela sociedade.
A questão é que os dados dos países são calculados em anos diferentes e por fontes diferentes. Levando isso em consideração, a pontuação do Brasil era de 52,9 em 2021. Em 2020, dado mais recente divulgado pelo World Bank, o índice de Gini de Luxemburgo era de 33,4, apontando para uma distribuição de renda quase duas vezes melhor que a brasileira.
Com o IDH, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é o contrário: quanto mais próximo do número um, melhor. Em 2021, o IDH de Luxemburgo foi de 0,930, o 17º melhor do mundo. No mesmo ano, o IDH brasileiro foi de 0,754, em 87º lugar.
– O que tem em Luxemburgo? Luxemburgo, um dos menores países da Europa localizado entre Alemanha, França e Bélgica, é beneficiado pelo seu papel como centro financeiro – com 118 instituições internacionais de crédito instaladas no país, de acordo com o Banque Centrale du Luxembuourg –, de seu regime fiscal favorável e de um setor industrial forte, aponta ao Valor Alexander Valentim, economista sênior da Oxford Economics.
O regime fiscal de Luxemburgo já foi muito questionado por outros países e chegou a receber a alcunha de paraíso fiscal. Em 2009, entrou para a “lista cinza” do Grupo de Ação Financeira (Gafi) devido à preocupação com as leis de sigilo bancário do país. Logo, o país adotou como regra os padrões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e foi retirado da categoria.
“Estes setores [financeiro e industrial] são altamente especializados e oferecem salários atrativos para trabalhadores qualificados que conduzem a um elevado padrão de vida. Além disso, o Luxemburgo tem uma pontuação muito boa no que diz respeito a medidas de Estado de direito e corrupção, tornando-o um destino atraente para investimentos estrangeiros”, diz Valentim.
No país europeu, o salário mínimo é de 2.570,90 euros, o que no câmbio atual corresponde a R$ 13.971,81 (em 11 de março). A taxa de desemprego fechou 2023 em 4,9%, com cerca de 17 mil pessoas desempregadas no país.
“Naturalmente, existe alguma desigualdade, mas, em linha com muitos dos seus pares europeus, o sistema de segurança social do Luxemburgo proporciona uma extensa rede de segurança para os seus habitantes”, completa Valentim. As informações são do jornal Valor Econômico.
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