Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2015
O segundo mandato do primeiro-ministro britânico, David Cameron, mal começou. Mas já contabilizou um primeiro embaraço – provocado pelo presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney. Ele virou alvo da ira de parlamentares trabalhistas e conservadores depois que a instituição se viu obrigada a admitir que vinha, secretamente, investigando os impactos financeiros de uma possível saída do Reino Unido da zona do euro, o Brexit. E tudo por conta de um e-mail confidencial enviado por engano a jornalistas do diário The Guardian.
O e-mail continha detalhes de um estudo intitulado “Projeto Bookend”, encomendado pelo banco para avaliar os cenários econômicos caso o Reino Unido deixe a União Europeia em um eventual referendo – que Cameron deseja promover em 2017. O Guardian informou que o e-mail foi enviado pelo diretor de estabilidade financeira do banco, sir Jon Cunliffe, a quatro executivos do alto escalão da instituição e, posteriormente, à imprensa.
Chamaram a atenção, sobretudo, os repetidos apelos para que os trabalhos de análise da força-tarefa ficassem em segredo e não tivessem caráter político. E a ordem era clara.
Diante do mal-estar, o Banco da Inglaterra se viu obrigado a explicar. “Não deveria ser surpresa que o banco está promovendo este tipo de trabalho sobre uma declarada política de governo. Há uma série de questões econômicas e financeiras que surgem no contexto da renegociação e do referendo nacional. É uma das responsabilidades do banco avaliar aquelas que se relacionam com seus objetivos”, diz o comunicado.
Analogia
O banco inglês insistiu, ainda, ter o direito de promover tais estudos secretamente. E fez uma analogia com os trabalhos feitos antes do referendo sobre a independência da Escócia. “Não é sensato para falar sobre este trabalho publicamente com antecedência. Mas, como com o trabalho feito antes do referendo escocês, vamos revelar os detalhes no momento oportuno.” (AG)
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