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Saúde Exercitar-se em apenas dois dias da semana já ajudaria a evitar mais de 260 doenças

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Quem é adepto desse padrão de prática de atividade física é conhecido como “guerreiro do fim de semana”. (Foto: Reprodução)

Acumular o tempo recomendado de exercício físico por semana em apenas dois dias reduziria o risco de desenvolver 264 doenças em comparação a manter-se sedentário, segundo estudo de pesquisadores do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, publicado na revista científica Circulation, da American Heart Association (AHA). Na pesquisa, foram avaliadas 678 condições de saúde.

Quem é adepto desse padrão de prática de atividade física é conhecido como “guerreiro do fim de semana”, já que sábado e domingo tendem a ser os dias escolhidos para exercitar o corpo.

Não houve diferenças significativas no nível de proteção quando os pesquisadores compararam os guerreiros do fim de semana com pessoas que distribuem o tempo recomendado em mais dias. “Notamos associações particularmente fortes com condições cardiometabólicas incidentes (principal foco do estudo), como hipertensão, diabetes, obesidade e apneia do sono, com até 50% menor risco observado tanto com o padrão de ‘guerreiro do fim de semana’ quanto com atividade regular”, escreveram.

Antigamente, a recomendação era de que as pessoas deveriam se exercitar pelo menos cinco vezes por semana durante 30 minutos. Isso mudou na última década, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar ao menos 150 minutos de atividade física moderada e intensa semanalmente, sem indicar qual o padrão a ser seguido.

“Como parece haver benefícios semelhantes para o guerreiro de fim de semana em comparação à atividade regular, pode ser o volume total de atividade, em vez do padrão, que mais importa”, afirmou Shaan Khurshid, coautor sênior do estudo, em comunicado à imprensa.

O estudo foi observacional, ou seja, analisou os desfechos em uma determinada população, sem qualquer intervenção. Os cientistas recorreram a dados de cerca de 90 mil pacientes do UK Biobank, um grande estudo de longo prazo no Reino Unido que investiga o impacto de fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento de doenças.

Os pacientes incluídos na análise foram acompanhados por uma semana – uma das limitações do estudo, pois um acompanhamento maior poderia ser mais adequado – com um acelerômetro triaxial, que permitiu classificar o padrão de exercício físico em três grupos: inativo, atividade regular e guerreiro do fim de semana. De acordo com os pesquisadores, essa tecnologia, presente em quase todos os smartwatches, traz mais qualidade aos dados do que os tradicionais formulários em que a própria pessoa relata o padrão de atividade física.

O estudo se soma a outros que apontaram benefícios semelhantes à saúde do padrão “guerreiro do fim de semana” em comparação com pessoas que distribuem o exercício em mais dias. Uma pesquisa do mesmo grupo, publicada no respeitado jornal científico Jama, mostrou que, em comparação com a inatividade, os dois perfis foram associados a riscos igualmente menores de ataque cardíaco, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial (um tipo de arritmia) e acidente vascular cerebral (AVC).

Pesquisadores ouvidos pela reportagem, que não estiveram envolvidos na pesquisa, comentam que os resultados são “interessantes” e “robustos”, no entanto, há limitações que dificultam extrapolá-los para outras populações – a começar pelo fato de que os cientistas recorreram a um banco de dados britânico, com nações ricas e desenvolvidas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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