Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de janeiro de 2016
O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse, em depoimento de delação premiada, que foi alçado ao cargo de diretor da BR Distribuidora – subsidiária da estatal – devido a um ato de “gratidão” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ex-executivo, a troca foi feita pelo fato de ele ter ajudado o Grupo Schain a vencer uma licitação para o aluguel de um navio-sonda para a Petrobras.
O negócio é apontado pelo MPF (Ministério Público Federal) como uma forma de pagamento por parte do PT a um empréstimo de 12 milhões de reais feito para o pecuarista José Carlos Bumlai. O dinheiro, repassado pelo Banco Schain, teria sido usado para pagar dívidas do PT. O negócio rendeu à Schain mais de 1 bilhão de reais. Em depoimento, o pecuarista confirmou a fraude, mas negou que o ex-presidente Lula tivesse conhecimento dos fatos. O caso levou Bumlai à cadeia por suspeita de corrupção. Ele já responde a um processo sobre isso e permanece preso em Curitiba (PR).
Na delação, Cerveró disse que conseguiu continuar na estrutura da Petrobras graças à intermediação desse negócio. Segundo ele, foi o próprio Lula quem decidiu indicá-lo para o cargo na BR Distribuidora. Ainda de acordo com o ex-diretor, coube a Lula garantir que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) tivesse acesso político à estrutura da BR Distribuidora, com a indicação de nomes para ocuparem cargos na empresa.
O ex-diretor também afirmou que, entre 2010 e 2013, participou de várias reuniões com políticos para tratar de propinas desviadas da Petrobras. Entre os nomes que citou estão, além de Collor, o também senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). (AG)
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