Sábado, 04 de abril de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Carlos Roberto Schwartsmann Por que estamos operando tanto na traumatologia?

Compartilhe esta notícia:

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Fratura é toda solução de continuidade do tecido ósseo. As fraturas podem ser deslocadas ou permanecerem respeitando sua configuração anatômica normal, portanto sem desvios de eixos.

Nas fraturas deslocadas é necessário a “redução”.

Isto é “colocar o osso no lugar”. Após este ato o tratamento pode ser conservador sem cirurgia, isto é, através de imobilizadores ou gesso. Outra alternativa é que as fraturas também podem ser fixadas, cirurgicamente, com parafusos, placas ou hastes. Seria um gesso interno!

As fraturas não deslocadas são mais fáceis de tratar, pois a anatomia não foi alterada.

Geralmente uma simples imobilização é suficiente durante o período de consolidação.

Apesar do alto grau de evolução tecnológica da medicina, lamentavelmente, até o presente momento, não conseguimos acelerar o processo divino da consolidação. Tampouco ainda não encontramos absolutamente nada que regenere a cartilagem articular. Isto só ocorre no Instagram! Tudo tem seu tempo: as grávidas continuam necessitando de 9 meses para gerar filhos normais e sadios.

Pela experiência, aprendemos que as fraturas articulares (as que atravessam as articulações) necessitam de restaurações milimetricamente perfeitas. São eminentemente cirúrgicas, pois pequenos degraus vão induzir ao desgaste da cartilagem , em poucos anos , originando a artrose.

As fraturas dos grandes ossos (fêmur, tíbia, úmero, etc.) necessitam de muito tempo para consolidar (2-6 meses). Nestes casos o tratamento cirúrgico é preferencial porque dispensa a imobilização externa. A mobilidade precoce elimina o risco de rigidez das articulações satélites e atrofia dos músculos adjacentes. O resultado final é melhor!

Além destas considerações técnicas, o dilema de operar ou não, envolve outras nuances: comorbidades médicas do paciente, necessidade de hospitalização, riscos anestésicos, envolvimentos com os planos de saúde, encaminhamentos pelo SUS, etc.

No eventual tratamento cirúrgico, a principal e mais temida complicação é a infecção. Os metais são corpos estranhos e favorecem esta ocorrência na agressão cirúrgica pela desvitalização tecidual. Isto ocorre mesmo na profilaxia com antibióticos!

Então, por que estamos operando tanto?! Hoje existe uma tendência ao tratamento cirúrgico.

O tratamento é mais fácil, menos trabalhoso e mais rentável. O treinamento dos jovens médicos é dirigido para cirurgia.

Ainda existe a pressão da indústria ortopédica e das redes sociais.

Os traumatologistas menos experientes desconhecem a eficácia da milenar arte do tratamento com aparelhos gessados!

Hoje, o pêndulo da balança é favorável a cirurgia. Estamos operando em demasia, esquecemos do tratamento conservador e que o bisturi também é um agente agressor.

(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário – schwartsmann@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Carlos Roberto Schwartsmann

Senador Cleitinho pede desculpas por pedido de foto com Virginia na CPI das Bets
Ouro de tolo e outras quinquilharias
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar

Carlos Roberto Schwartsmann Uberização da medicina

Carlos Roberto Schwartsmann Enamed, era previsível!!

Carlos Roberto Schwartsmann “Free fruits for kids”

Carlos Roberto Schwartsmann Brasil e Austrália