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Colunistas Irã x Israel

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Mais uma vez estamos o mundo está dançando à beira do abismo, agora no Irã e em Israel. Tudo está por um fio, naquelas situações em que o que resta a fazer é rezar. Ao menos desta vez temos deuses diferentes a quem apelar – no pano de fundo do conflito a fé, o fundamentalismo religioso.

Trata-se de uma sequência interminável de combates pontuais (Guerra dos Seis Dias, do Yom Kippur) desde 1948, e onde todos têm sua razão. A atual fase do conflito começou em outubro de 2023 com um ataque vil e covarde do grupo terrorista Hamas contra a população desarmada de Israel. No chão ficaram estendidos os cadáveres de 1.200 israelenses, que não tiveram a menor chance de se defender.

Ocorre que o ataque terrorista tinha por função e finalidade provocar uma reação de Israel, uma crônica anunciada. A ideia era que a retaliação de Netanyahu, um belicista com espuma de ódio na boca, por sua vez, causaria uma sucessão de atos de solidariedade dos países árabes em geral e de todos os inimigos de Israel e dos EUA: eles se levantariam em armas para um ataque final, aquele que – jogando os judeus ao mar – resolveria todos os conflitos da região.

Imediatamente houve no mundo uma onda de solidariedade a Israel, exceção feita aos inimigos de sempre – China, Rússia, Cuba, Irã. O Brasil foi ambíguo, mas era visível desde o ataque do Hamas para onde apontava a posição que seria adotada. Lula em todas as horas preferiu atacar Israel do que o Hamas – os agressores, para a diplomacia brasileira, passaram a ser as vítimas do que eles tinham provocado.

Netanyahu, um assassino travestido de estadista, aproveitou o ensejo e, se não tinha pronto um plano, desencadeou uma ação coordenada, sistemática, implacável, não apenas para se defender e repelir o ataque covarde, ou para desbaratar o Hamas e o terrorismo na região, mas para eliminar do mapa o povo palestino.

O resto todos sabemos: a estas alturas os números indicam cerca de 50 mil palestinos, homens, mulheres, crianças, idosos mortos e mais de 400 mil feridos. E a devastação material: são impressionantes as imagens conhecidas, a terra arrasada de Gaza. No começo este articulista não apenas responsabilizou o Hamas por ter iniciado os combates, e defendeu Israel da acusação corrente de genocídio. Hoje em dia não tenho dúvida : Israel é um país genocida, sob qualquer prisma que se queira ver conflito.

Era direito legítimo, inalienável de Israel se defender e retaliar. E definitivamente, não é direito de Israel reduzir Gaza a escombros fumegantes e exterminar o povo palestino, como vem fazendo. A escalada da guerra prossegue, inexorável. Sabe-se como os banhos de sangue começam nas não como terminam. Em geral, prosseguem por longo período fazendo verter do chão o sangue dos inocentes.

As coisas se complicam com a entrada de Trump no cenário da crise. Este homem que não tem senso de medida, é elemento de alta periculosidade, e da sua insanidade pode resultar um conflito nuclear capaz de varrer da face da terra populações inteiras e os bens do progresso e da civilização que o homem construiu com seu trabalho e engenho.

(titoguarniere@terra.com.br)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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