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Rio Grande do Sul Em menos de quatro anos, o Instituto-Geral de Perícias do RS já acumula 308 confirmações balísticas em sistema nacional

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Tecnologia e dedicação dos servidores têm garantido destaque ao Estado. (Foto: Divulgação/SSS-RS)

Em menos de quatro anos, o Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) contabiliza no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) um total de 308 ligações confirmadas, denominação aplicada aos casos em que elementos de munição como projéteis e cápsulas são associados a diferentes ocorrências criminais. É o que ocorre quando se conclui, por exemplo, que a bala coletada em cenário de tiroteio pertence ao mesmo revólver de um latrocínio cometido em outra época e lugar.

Esse vínculo pode redefinir o rumo de uma investigação, sobretudo em casos sem suspeitos definidos, ou mesmo quando ainda não se sabe qual artefato foi utilizado em determinado crime. Os dados têm sido computados desde julho de 2022, quando o sistema foi implantado na Divisão de Balística Forense do IGP.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP, à qual o Instituto está vinculado), os resultados evidenciam a evolução contínua do trabalho pericial no Estado: quatro ligações em 2022, 52 em 2003, 93 em 2024 e 150 em 2025, chegando-se assim aos mencionados 308 casos bem-sucedidos de cruzamento balístico, referentes a 235 armas-de-fogo.

Mesmo quando não há solicitação formal de laudo pela autoridade policial, o IGP emite laudo de coincidência de perfil balístico. Esse documento técnico é encaminhado à delegacia responsável pela investigação, ampliando o conjunto de informações disponíveis para a elucidação dos fatos.

“Cada ligação confirmada representa uma análise minuciosa”, destaca o chefe da Divisão de Balística Forense do IGP-RS, Jonathan Tobias Ramos. “É a partir da leitura científica destes vestígios que conseguimos revelar conexões invisíveis à primeira vista, indicar caminhos investigativos e, muitas vezes, oferecer respostas a crimes que poderiam não ter solução. O trabalho do perito transforma dados microscópicos em informações decisivas.”

Destaque

Terminado o ano de 2025, o Rio Grande do Sul se mantém no topo do ranking nacional entre os órgãos de polícia científica, ocupando o primeiro lugar em dois dos três critérios avaliados pelo Sinab, superando até mesmo Estados de maior população: número de inserções e número de correlações balísticas.

O IGP realizou 14.054 inserções no banco de dados, resultado de rotinas consolidadas ao longo dos últimos três anos, com uso intensivo de tecnologia, padronização de procedimentos e qualificação contínua das equipes.

Bastidores

A análise é realizada por meio do Sistema de Identificação Balística Integrado (Ibis), tecnologia automatizada que permite comparações com alto nível de detalhamento. O processo tem início na coleta dos vestígios nas cenas de crime. Projéteis e estojos são escaneados e inseridos no banco nacional, onde passam por comparações digitais em busca de padrões microscópicos deixados pelas partes internas da arma no momento do disparo.

A partir desta etapa automatizada, o sistema indica possíveis correspondências. O exame, então, avança para a análise humana especializada, quando o perito avalia visualmente as imagens geradas, seleciona os indícios mais relevantes e confirma ou descarta as coincidências.

A partir dessa comparação automatizada, o sistema sugere potenciais correspondências. O trabalho passa então à etapa humana especializada. O perito analisa visualmente as imagens geradas, seleciona os indícios mais promissores e confirma ou descarta os “hits” (coincidências) por meio do microscópio óptico.

Cada “hit” confirmado significa que o sistema identificou que dois ou mais crimes foram cometidos com a mesma arma-de-fogo. Isso pode transformar completamente uma investigação, especialmente em casos nos quais ainda não se tem suspeitos.

No Rio Grande do Sul, a Divisão de Balística Forense do IGP assumiu a responsabilidade de alimentar o Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB) com um volume significativo de dados desde que o Estado aderiu ao sistema, em julho de 2022. Para isso conta com a dedicação dos servidores e o uso de dois equipamentos de alta precisão.

Antes, uma arma era periciada, o laudo de funcionamento era emitido e o trabalho estava concluído. Hoje, é preciso coletar padrões da arma (projéteis e “estojos”), selecionar aqueles com maior riqueza de microelementos e inseri-los no sistema. Esse processo demanda mais tempo e especialização, mas gera um impacto muito maior na investigação.

Instituição

O IGP foi criado como órgão autônomo de Segurança Pública do Estado pelo artigo 124 da Constituição Estadual, promulgada em 1989. Na época, a instituição se chamava “Coordenadoria-Geral de Perícias”. A atual denominação veio com a emenda constitucional número 19, no dia 17 de julho de 1997.

São órgãos de execução do órgão, sob a coordenação da Supervisão Técnica, o DC (Departamento de Criminalística), o DML (Departamento Médico-Legal, antigo IML), o DI (Departamento de Identificação) e o LP (Laboratório de Perícias).

Assim como a Polícia Civil e a BM (Brigada Militar), o Instituto é um dos órgãos vinculados à Secretaria da Segurança Pública, ao lado da Polícia Civil e da Brigada Militar, ao qual compete, além de outras atribuições, especialmente, as perícias médico-legais e criminalísticas, os serviços de identificação e o desenvolvimento de estudos e pesquisas na área de atuação.

(Marcello Campos)

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