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Economia 78,2 milhões brasileiros estão endividados

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(Foto: Reprodução)

A retomada do crescimento da inadimplência do consumidor, com o recorde de 78,2 milhões de brasileiros endividados registrado em julho pela Serasa, reforça projeções de alta contínua do endividamento ao longo de 2025 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O incremento consistente é a comprovação de que medidas que prometem acabar com a insolvência das famílias brasileiras de pouco ou nada adiantam sem mudanças estruturais na economia.

Basta comparar com o número de endividados de junho de 2023, um mês antes da entrada em vigor do programa Desenrola Brasil, do governo federal: 71,4 milhões de brasileiros. Na época, a inadimplência assumira proporção de crise e a solução para o problema havia sido alvo de propostas da campanha presidencial no ano anterior – uma bandeira que, a bem da verdade, vem sendo levantada a cada período eleitoral, por diferentes partidos políticos.

O Desenrola Brasil veio embrulhado em um pacote que vislumbrava reduzir em até 40% a inadimplência e mudar comportamentos, oferecendo cursos de educação financeira aos beneficiários. O programa foi encerrado em maio de 2024 e, de acordo com o balanço do governo Lula da Silva, retirou em torno de 15 milhões de pessoas do cadastro de inadimplentes.

Mas, como se confirma agora, tratou-se de um alívio temporário, sabotado por políticas de incentivo ao consumo e ao crédito, a despeito do cenário de juros altos e inflação preocupante. Além do monitoramento da Serasa, outras estatísticas corroboram que o padrão médio dos orçamentos familiares – tal qual o das contas públicas – está muito distante da situação de equilíbrio.

Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), com dados de junho deste ano, revelou que cresceu para 13,5% a proporção de brasileiros que estão retirando dinheiro da poupança para pagar gastos cotidianos (em junho de 2024 eram 11,9%). Isso equivale a um duplo prejuízo, já que interfere na taxa de poupança e representa um reforço no orçamento não como investimento, mas para despesas correntes.

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, constatou que, também em junho, 78,4% das famílias tinham dívidas a vencer, com quatro dívidas ativas por CPF, em média. Na capital paulista, maior centro consumidor do País, o porcentual de famílias inadimplentes passou de 21,6% em junho para 22,1% em julho, diz a Fecomercio-SP.

Reportagem do Estadão mostrou que mais da metade (54%) dos empregados com carteira assinada ou que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) admite que antes de o mês acabar já não resta um real do salário recebido. E, de acordo com dados do Banco Central de maio, as famílias brasileiras usam quase 10% da renda apenas para pagar juros de dívidas. Dados não faltam para duvidar das promessas de milagre. Com informações de O Estado de S. Paulo

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Na sexta-feira, 1º de agosto, testemunhamos mais do que um anúncio político: foi o reconhecimento oficial de que os animais têm lugar legítimo nas pautas públicas do Rio Grande do Sul. A apresentação do projeto de lei que cria o Fundo Estadual de Bem-Estar de Animais Domésticos pelo governador em exercício, Gabriel Souza, marca um divisor de águas na relação entre Estado e causa animal. Não é exagero chamar a proposta de histórica. Pela primeira vez, um ente federativo brasileiro se propõe a instituir um fundo exclusivamente dedicado ao bem-estar de cães, gatos e cavalos, com orçamento próprio, gestão participativa e vocação permanente. Na prática, isso significa que ONGs, protetores independentes e prefeituras não precisarão mais disputar recursos ambientais escassos para cuidar de animais em situações de vulnerabilidade. O texto que tramita na Assembleia Legislativa prevê fontes de receita múltiplas — de transferências federativas a multas por maus-tratos — e contempla ações essenciais como castrações, acolhimento, abrigagem e capacitação de profissionais da área veterinária. E mais: pela primeira vez, equinos utilizados como tração urbana entram explicitamente na política pública. Cavalos que antes eram invisíveis ao olhar institucional passam a ser sujeitos de proteção. Vale lembrar que essa proposta não surgiu do acaso. Ela se ampara em anos de mobilização da sociedade civil, na trajetória iniciada com o Programa Melhores Amigos e nas ações emergenciais adotadas durante as enchentes de 2024, quando milhares de animais foram resgatados graças à força conjunta de protetores, militares e voluntários. O fundo é a resposta à pergunta que tantos gaúchos têm feito: como tornar permanente o que antes era paliativo? O ponto alto da proposta é o Conselho Gestor com participação da sociedade civil. Aqui, o governo demonstra sensibilidade ao abrir espaço para quem vive, diariamente, os desafios da proteção animal. A escuta ativa deixa de ser promessa e se transforma em estrutura oficial. Na cerimônia, além dos gestos simbólicos — como o carinho dedicado a um Cavalier King Charles Spaniel que representou todos os bichinhos atendidos — sobrou emoção nas palavras da representante do coletivo SOS Operação Nazário, Cláudia Azevedo, que resumiu com exatidão: “Esse fundo é a expressão de uma nova visão, mais humana e justa, que está ganhando força no coração dos gaúchos”. O projeto ainda será votado, e como jornalista que acompanha políticas públicas há anos, posso dizer que dificilmente encontraremos iniciativa com tamanha clareza de propósito e respaldo social. O Rio Grande do Sul pode, sim, virar referência nacional na área.
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