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Economia Mercado mantém estimativa de crescimento de 2,2% para o PIB do Brasil em 2025

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A avaliação de analistas é de que a economia doméstica passa por um processo de acomodação. (Foto: Reprodução)

O crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, acima da expectativa inicial do mercado, não mudou as projeções dos mesmos analistas em relação ao resultado do indicador no restante do ano. A mediana de 20 casas consultadas pelo Projeções Broadcast continua sendo de alta de 2,2% para o PIB de 2025 – em linha com o que havia sido apontado em pesquisa realizada em 28 de agosto. Para este terceiro trimestre, a mediana das projeções subiu residualmente no período, de 0,2% para 0,3%.

A avaliação de analistas é de que a economia doméstica passa por um processo de acomodação, que deve seguir ao longo desta segunda metade do ano. É a avaliação do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, segundo o qual o PIB no segundo trimestre mostrou arrefecimento dos componentes da demanda doméstica – ainda que de forma mais lenta do que a inicialmente projetada –, ao passo que a demanda externa contribuiu positivamente para a atividade no período.

“Ou seja, trata-se de um quadro de gradual desaceleração da atividade no Brasil, respondendo aos efeitos defasados da política monetária e em contexto de ainda elevada incerteza econômica global e local”, escreveu ele, em relatório. Sua estimativa é de alta de 2,3% para o PIB de 2025.

Menos otimista, o banco Inter projeta expansão de 2,0%. “Esperamos a continuidade da desaceleração da demanda interna, tanto pelo lado do consumo quanto do investimento, em meio ao aperto monetário. O esfriamento da economia é importante para o processo de queda da inflação”, detalhou o economista sênior do Inter, André Valério, também em relatório.

Sinais do impacto dos juros no nível de atividade apareceram em várias das rubricas das contas nacionais. Na margem (ou seja, na comparação do segundo trimestre com o primeiro), o crescimento de 0,5% do consumo das famílias foi metade do registrado na medição anterior (1%). Já a formação bruta de capital fixo, sinônimo de investimentos, caiu 2,2% no mesmo período, interrompendo seis trimestres consecutivos de crescimento.

Setores mais dependentes de crédito, construção e indústria de transformação recuaram, respectivamente, 0,2% e 0,5%, também na margem. Além do aperto monetário, o resultado do PIB refletiu a dissipação de efeitos da safra recorde de grãos, que, no início do ano, encobriu o impacto da Selic mais alta em atividades sensíveis ao ciclo monetário.

Segundo Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, a divulgação do PIB do segundo trimestre confirmou o quadro de acomodação dos setores dependentes de crédito, enquanto as atividades mais sensíveis à renda exibem resiliência. “Setores como veículos, materiais de construção, eletrodomésticos, produtos eletrônicos vêm perdendo tração em meio a um ambiente de juros restritivos e de alto grau de endividamento das famílias”, afirmou ele. Por outro lado, ponderou Margato, o mercado de trabalho continua aquecido, com a taxa de desemprego renovando mínimas históricas e uma alta consistente da renda.

Após a divulgação do PIB, os economistas do Bradesco projetaram crescimento próximo de zero no segundo semestre. “Os impactos dos juros restritivos são cumulativos e, por isso, devemos ver continuidade desse processo de moderação da economia nos próximos trimestres”, comentou o departamento de estudos econômicos do banco. Na mesma linha, o departamento econômico do Santander escreveu que vê sinais de acomodação, e a expectativa é de crescimento baixo na segunda metade do ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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