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Política Aliança entre o Centrão e o bolsonarismo é perversa para o Brasil, diz analista

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Federação União Brasil-PP marcou reunião para o dia 6 de outubro. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta semana dois projetos que, segundo analistas, beneficiam a classe política e distanciam a casa do povo: a PEC da Blindagem e a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro, que já está assumindo outra forma e sendo chamada de Projeto da Dosimetria.

Em entrevista ao podcast O Assunto dessa sexta-feira (19), o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP, diz que as aprovações fazem parte de um “casamento perverso” entre parte do Centrão e o bolsonarismo.

“Esta aliança é uma aliança de ocasião. Um quer, na verdade, garantir a possibilidade de chegar ao poder e não respeitar a democracia. O outro quer continuar sendo a grande balança do poder, mas em troca ganhando direitos antirrepublicanos, uma capacidade de usar o recurso público e não ser investigado pela justiça, que nem em nenhuma democracia há. Portanto, esse casamento de ocasião é um casamento perverso para a sociedade brasileira”, afirmou Abrucio.

Para ele, a aliança tem objetivos distintos, mas complementares: de um lado, garantir espaço para práticas antidemocráticas; de outro, assegurar privilégios e imunidades que enfraquecem os mecanismos de fiscalização e punição de parlamentares.

A PEC da Blindagem foi aprovada em votação rápida e amplia proteções para deputados e senadores em processos cíveis e criminais. O texto é visto por entidades da sociedade civil e especialistas como um retrocesso para a democracia, ao dificultar a responsabilização de políticos e reforçar a criação de uma “casta” de parlamentares acima da lei.

Abrucio avaliou ainda que a aproximação entre Centrão e bolsonarismo, exemplificada pela nomeação de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria, é sustentada pelo medo de investigações e pela tentativa de manter impunidade em casos que vão de irregularidades no uso de emendas parlamentares a crimes mais graves.

A proposta agora segue para o Senado, onde precisará de 49 votos em dois turnos de votação. A expectativa é que a resistência seja maior, já que a renovação de dois terços das cadeiras em 2026 torna a aprovação de medidas impopulares mais arriscada para os senadores.

Enquanto isso, a reação negativa da sociedade já se manifesta nas redes sociais, onde termos como “PEC da Bandidagem”, como foi apelidada a PEC da Blindagem – que os deputados chamam de PEC das Prerrogativas – chegaram aos assuntos mais comentados. Para Abrucio, a repercussão pode ter peso eleitoral.

“Muita gente do Centrão vai perder voto e quem se aliar a ele, inclusive candidatos presidenciais”, diz Abrucio. “Porque tem gente com medo do processo relacionado à garantia do Estado Democrático de Direito, na verdade, com medo de perder o seu grande líder eleitoral, que é o ex-presidente Jair Bolsonaro”, continua.

De acordo com o especialista, este é um descolamento que tem reflexos para a população e para os poderes Executivo e Judiciário, expondo uma tensão crescente em Brasília, o que chama de o “pior momento da Câmara desde a redemocratização”.

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