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Brasil Derrocada dos Correios teve perda de receitas, alta de gastos e descontrole sobre ações judiciais

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Os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A preocupação é se os bancos públicos podem estar financiando a própria União. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O plano de socorro aos Correios, ancorado em um empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia soberana, tornou-se a saída de emergência para uma crise gestada por anos e que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva hesitou em reconhecer.

Para além da chamada “taxa das blusinhas” (a cobrança de impostos sobre encomendas internacionais de até US$ 50 que, de fato, desfalcou suas receitas), a empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas.

Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

“A nossa empresa não se adaptou de forma ágil a uma nova realidade, e isso fez com que a gente sofresse em termos de resultado, de geração de caixa, da operação em si. A perda de competitividade vem fazendo com que a gente tenha perda de receita, e ao impactar o caixa, aí eu falo principalmente nos últimos meses, a gente vem afetando a operação”, disse o novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, em sua primeira entrevista, concedida 21 dias após ele assumir o cargo.

No fim de julho de 2023, a Receita Federal lançou o Remessa Conforme, programa que criou uma esteira rápida para encomendas internacionais devidamente declaradas ao fisco. A mudança teria impacto direto nos Correios, que até então concentravam essa atividade.

Hoje, técnicos da empresa avaliam que a companhia demorou a reagir, possivelmente confiando em algum recuo da equipe econômica. Quando o sistema já estava consolidado e a “taxa das blusinhas” entrou em vigor, em agosto de 2024, os Correios ainda não tinham se reposicionado nesse segmento.

A companhia passou a atuar em novos mercados, como transporte de medicamentos para Estados, mas as receitas ainda eram insuficientes para cobrir o buraco no caixa. Enquanto isso, o próprio Executivo minimizava os problemas da companhia e reagia com cobranças quando houve o primeiro aviso de que o socorro seria inevitável.

A queda no faturamento deflagrou o que Rondon classificou de “ciclo negativo”: os Correios começaram a atrasar pagamentos de fornecedores, alguns dos quais interromperam a prestação de serviço. O impacto negativo na operação gerou insatisfação nos clientes e perda de contratos, agravando o declínio das receitas.

Ironicamente, parte do ambiente de forte concorrência que se vê hoje perante gigantes como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza foi induzido pela crise dos Correios, já que as empresas privadas investiram em serviços próprios de logística para dar vazão às cargas retiradas da empresa estatal devido à perda de qualidade na operação.

Hoje, algumas sinalizam que há espaço para retomar parte das parcerias, mas dificilmente na mesma magnitude de antes, o que impõe aos Correios a necessidade de diversificar seu negócio.

O socorro via empréstimo de R$ 20 bilhões seria uma ponte até que a empresa consiga fazer essa virada, que leva tempo. Os detalhes do plano devem ser apresentados aos bancos na próxima semana, mas boa parte do dinheiro deve servir para regularizar passivos e manter a operação em 2025 e 2026.

Até o fim de junho, havia uma diferença de R$ 5,6 bilhões entre os ativos da companhia e os compromissos a serem honrados nos 12 meses seguintes. Os Correios também precisam quitar o empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado neste ano e que vence em 2026.

Além disso, a companhia opera hoje com um prejuízo mensal na casa dos R$ 700 milhões, valor que cresce mês a mês. Isso significa que ela precisa de até R$ 4,5 bilhões para cobrir o buraco do segundo semestre. Para 2026, os prejuízos mensais podem chegar a R$ 1 bilhão caso a empresa não tenha condições de investir para se reposicionar.

“O plano projeta economia relevante de despesas operacionais, com redução gradual de passivos e aumento de produtividade. Os números serão apresentados no balanço de implementação, mas o objetivo é estabilidade estrutural e resultado operacional”, diz a empresa, em nota.

 

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5 Comentários
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César Alexandre Jardim Marques
20 de outubro de 2025 02:40

Já foi falado que o próximo Presidente não vai conseguir consertar todas as M… do Governo do Painho em 4 anos. Tempos “sombrios” no horizonte.

Jorge Ferreira
20 de outubro de 2025 09:31

a culpa e do bolsonaru cumpanheru kkkkk

Miltch Mitch
20 de outubro de 2025 10:15

Quem vota no pt não e só burro e cúmplice

Glaucio Dos Santos Brum
20 de outubro de 2025 11:58

Uma estatal cujo carro chefe é proporcionar cargos e dinheiro aos interesses do governo, não poderia ter outro fim. E o povo a pagar.

Artur Artur
20 de outubro de 2025 14:17

Bota um PTralha para administrar o SAARA…em 2-3 anos não tem mais areia….
Na Ultima passagem pela PETROBRAS, ela se tornou na Empresa Mais Endividada do MUNDO….
Agora só não quebrou, porque venda Agua(30% alcool) , dizendo que é gasolina…
Meu carro está gastando 20% a mais depois desta mistura maldita….
Quanto mais eu gasto …mais impostos eu pago… eu cada vez mais pobre…ESTE É O PLANO.

Lula continua fazendo de tudo para convencer o senador Rodrigo Pacheco a disputar o governo de Minas Gerais no ano que vem
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