Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2016
A jovem Marita Lorenz suava frio quando o avião em que viajava finalmente aterrissou em Havana (Cuba), em 1960. Com medo de ser revistada, tirou do bolso as duas pílulas que lhe haviam sido entregues antes de embarcar. Eram nada menos do que cápsulas com veneno. E o objetivo, fazer com que Fidel Castro as engolisse.
“Eles haviam sido amantes (…) nós acreditávamos que ela poderia seduzi-lo e fazer com que ele tomasse a droga”, disse Walter Elder, um dos então comandantes da CIA (agência de inteligência americana).
Nervosa, a moça enfiou as cápsulas num pote de creme facial que levava na bagagem de mão. Achou que ali estariam melhor escondidas. Deu certo, passou incólume pela alfândega, chegou a seu quarto no hotel e foi correndo ao banheiro para abrir o pote. “Ao remover a tampa, vi que as pílulas estavam quase desintegradas, tinham virado uma espécie de massa pastosa”, conta Lorenz, como prefere ser chamada, no livro “Eu Fui a Espiã que Amou o Comandante”, recém-lançado no Brasil.
O plano de assassinar o líder cubano fracassava, enquanto Lorenz jogava o conteúdo dos potes na privada. “Depois disso, porém, senti um enorme alívio, pois sabia que não teria coragem de matá-lo. Estava muito apaixonada.” Quando se viu diante de Castro, contou a ele todo o plano, e ele riu, relembra Lorenz. “Ele então me perdoou e me disse que eu deveria ficar na ilha, pois se voltasse para os EUA poderia ser morta pelos anti-castristas por não ter cumprido minha missão.”
O complô falido para matar Fidel Castro é apenas uma das várias aventuras que Lorenz conta no livro. Apesar de várias passagens baterem com a história oficial e com documentos sobre as ações da CIA, outros registros são de difícil confirmação.
Vida cinematográfica.
A lista das aventuras de Lorenz, que irão para Hollywood com o filme “Marita”, com a atriz Jennifer Lawrence no papel da espiã, inclui romances, complôs de assassinatos e bastidores de escândalos de corrupção. Castro, por exemplo, não foi o único ditador em sua vida. Depois do fim da relação com o líder revolucionário, Lorenz teve um caso com o venezuelano Marcos Pérez Jiménez (1914-2001) enquanto ele vivia em Miami. Com ele, teve uma filha, Mónica.
O elo entre Lorenz e várias dessas tramas foi o oficial norte-americano Frank Sturgis, depois julgado por envolvimento com o Watergate. “Foi responsável por muita coisa que me aconteceu, boa e má.”
No livro, Lorenz não se prende a discutir questões ideológicas. Prefere não falar de comunismo ou capitalismo. “Minha história é sobre os personagens, não sobre as ideias. São as pessoas que fazem a história.” O fato de muitos personagens de “Eu Fui a Espiã que Amou o Comandante” já terem morrido ou serem hoje muito idosos foi o principal motivo para Lorenz contar sua história em livro agora.
Filho com Fidel.
Um dos mistérios ainda em aberto de que o livro trata é o que teria acontecido com um filho que Lorenz teria tido com Castro. A princípio, ela dizia que tinha sido levada a abortar por inimigos do líder. Mas, agora, ela conta que seu filho havia nascido. “Eu o vi, mais de 20 anos depois, chama-se Andrés e Fidel disse que ele teria de ficar na ilha, pois era cubano. Eu aceitei.”
Ela conta que pensa nos dois todos os dias. “Gosto de acreditar que nosso filho é um dos que está perto de Fidel agora, na velhice.” (Folhapress)
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