Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 29 de novembro de 2025
Muitas companhias aéreas globais precisaram parar as operações nesse sábado (29) para corrigir a falha nas aeronaves Airbus A320, deixando muitas paradas em aeroportos da Europa, Ásia e na América Latina. Na véspera, a empresa havia ordenado que as empresas interrompessem imediatamente os voos de cerca de 6 mil aeronaves dessa categoria para correção de falhas identificadas no sistema de controle de voo.
A decisão foi tomada após um incidente técnico ocorrido no fim de outubro com um avião nos Estados Unidos. O incidente que motivou a ação envolveu um voo da JetBlue, que ia de Cancún, no México, para Newark, em Nova Jersey, em 30 de outubro, disseram fontes à agência Reuters.
O problema está no computador ELAC, responsável por transmitir os comandos do piloto para as peças que controlam a inclinação do avião, localizadas na parte traseira da aeronave. A correção exige o retorno a uma versão anterior do software e deve ser feita antes que os aviões retomem voos comerciais.
Segundo a agência Reuters, a Airbus agora informa às companhias que os reparos emergenciais em algumas aeronaves afetadas podem ser menos trabalhosos do que se pensava inicialmente, com menos aviões do que o temido precisando de trocas de hardware em vez da simples correção de software.
Ainda assim, executivos do setor afirmam que a medida abrupta é rara e potencialmente custosa num momento em que a manutenção já enfrenta pressões globais por falta de mão de obra e de peças.
Em comunicado, o CEO da Airbus, Guillaume Faury, se desculpou pelo que chamou de “desafios logísticos e atrasos” e disse que as equipes da montadora estavam realizando a “correção o mais rápido possível”.
Documentos apontam que a correção envolve o software responsável pelo controle dos profundores e dos ailerons – superfícies que determinam o ângulo do nariz da aeronave e a inclinação lateral durante o voo.
Há cerca de 11.300 aeronaves da Airbus em operação no mundo, dos quais 6.440 são o modelo central A320. A correção proposta pela fabricante é a instalação do software anterior e, embora relativamente simples, precisa ser feita antes que os aviões possam voar novamente.
Cancelamentos e atrasos
No Brasil, o A320 é operado pelas companhias Latam e Azul Linhas Aéreas. As companhias disseram ao g1 que o recall não afetaria as operações. Nos Estados Unidos, a American Airlines, maior operadora de A320 do mundo, informou que 209 dos seus 480 aviões do modelo precisavam da correção. Outras companhias dos EUA, como Delta, JetBlue e United, também estão entre as 10 maiores operadoras da família A320.
A colombiana Avianca informou que o recall atingiu mais de 70% de sua frota, o que a levou a suspender a venda de passagens para viagens até 8 de dezembro.
No Japão, a ANA Holdings, maior companhia aérea do país, cancelou 95 voos nesse sábado, afetando 13.500 viajantes. A ANA e suas afiliadas, como a Peach Aviation, operam a maior frota de A320 no país.
O regulador de aviação da Índia informou que 338 aeronaves Airbus no país foram afetadas, mas que o ajuste de software seria concluído até este domingo. A maior companhia do país, a IndiGo, disse ter concluído o ajuste em 160 dos seus 200 aviões, enquanto a Air India afirmou ter feito o mesmo em 42 dos 113 modelos impactados.
Frota grande
A família A320, que inclui A318, A319, A320 e A321, soma cerca de 11.300 aviões no mundo. Só o A320, lançado nos anos 1980 e pioneiro no sistema “fly-by-wire”, somam 6.440 unidades em operação. O volume é tão grande que qualquer interrupção, mesmo curta, cria ondas de impacto globais.
Soma-se ao problema o fato da cadeia de manutenção aeronáutica enfrentar escassez de mão de obra, filas de meses para revisão de motores e hangares grande galpão, situado em um aeroporto ou heliporto, no qual estacionam-se as aeronaves para manutenção – lotados. A expectativa de especialistas é que, apesar de o reparo em si ser rápido, o efeito acumulado dessa interrupção num setor já sobrecarregado gere atrasos pontuais ao longo das próximas semanas. Com informações do g1, portal Metrópoles e Veja.