Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2016
Um processo de divórcio pode gerar não apenas frustração emocional, mas uma fonte de descontrole financeiro. Esse foi o caso do analista de suporte técnico Rafael Gama, 27 anos. Ao optar pela separação, ele acabou por assumir uma série de compromissos que antes eram arcados pelo casal. O resultado: contas atrasadas e restrições em cadastros de crédito que já se arrastam há quase quatro anos. “Eu me divorciei, e, na época, pagávamos o parcelamento do material para a construção da casa e itens comprados no cartão de crédito. Ficou tudo para mim. Não consegui pagar, e acabou virando uma bola de neve. Também fiquei três meses desempregado, o que piorou a situação”, conta.
O educador financeiro Reinaldo Domingos lembra que, ao tomar a decisão pelo divórcio, é importante ter em mente o regime de casamento (comunhão total ou parcial de bens) e contar com o auxílio de um advogado para lidar com os trâmites legais. Divisão feita, é preciso pensar na vida financeira, uma vez que as contas deixarão de ser compartilhadas e, em alguns casos, há necessidade de pagamento de pensão, pelo fato de um dos cônjuges ser dependente ou de haver filhos menores de idade. “Tudo precisa ser levado em conta. É preciso fazer um diagnóstico financeiro apurado, com os novos gastos e as receitas. É um novo orçamento e também um novo planejamento para o futuro”, explica Domingos.
Dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 341,1 mil casais se divorciaram em 2014, um crescimento de 5% em relação ao ano anterior. O universo de separados, porém, costuma ser maior, já que há os que não fazem a mudança legal, bem como aqueles que nunca formalizaram a união.
Carlos Eduardo Costa, consultor de finanças pessoais do Banco Mercantil do Brasil, lembra que é necessário analisar todos os aspectos da nova situação. É preciso saber qual o cônjuge que ficará na residência (ou se ambos vão sair), se haverá mudança para um imóvel menor (o que costuma acarretar em despesa, como compra de móveis) e quais serão os gastos prioritários, considerando-se uma renda líquida de solteiro. Além disso, Costa recomenda atenção ao que pode ser supérfluo. Ele lembra que é natural que a pessoa, para compensar a frustração do divórcio, dedique mais tempo às compras ou saia com maior frequência, o que pode gerar o descontrole financeiro.
O advogado Luiz Antonio Sampaio Gouveia lembra que é possível fazer o divórcio no cartório, caso não ocorra disputa em torno dos bens e o casal não tenha filhos dependentes.
Partilha de imóveis.
Para os casais que possuem imóvel financiado em conjunto, a partilha deste bem também constará do processo de divórcio. No entanto, o advogado explica que é preciso verificar junto ao agente financeiro se é possível deixar a responsabilidade financeira apenas com o cônjuge que ficará com a casa ou apartamento. Nem sempre isso é aceito, já que, às vezes, a renda de apenas um dos cônjuges é insuficiente para bancar as prestações do financiamento. Neste caso, a responsabilidade pelo crédito imobiliário continua sendo dos dois.
É preciso também atenção com o pagamento da pensão. Ela já vem descontada no contracheque, caso o responsável pelo pagamento seja trabalhador formal. Mesmo que ele perca o emprego, a obrigação persiste.
E para quem já se separou e encarou o descontrole financeiro, a receita é uma só: tentar aumentar seus ganhos e reduzir gastos. Tendo esse equilíbrio, procurar renegociar as dívidas em atraso, dando prioridade àquelas com juros maiores, como as do cartão de crédito. Se for possível, um empréstimo com juro menor (como o consignado) pode contribuir para esse reequilíbrio financeiro. (AG)
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