Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2026
O atual governo da Venezuela ordenou nessa segunda-feira (5) que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. A determinação foi divulgada por meio de um decreto que amplia os poderes das forças de segurança e prevê a atuação conjunta de diferentes órgãos de inteligência e repressão.
O decreto está em vigor desde sábado (3), mas foi publicado na íntegra apenas nesta segunda. As forças especiais norte-americanas prenderam Nicolás Maduro na madrugada do último sábado, em uma operação que provocou apagões em partes da capital, Caracas, e atingiu instalações militares estratégicas. Segundo relatos oficiais, a ação envolveu ataques coordenados e causou interrupções temporárias em serviços públicos, elevando a tensão no país.
Levado para solo americano, onde está detido, o venezuelano compareceu diante de um juiz de Nova York nessa segunda. Ao mesmo tempo, também em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reuniu para discutir o ataque americano, diante das críticas de diversos países quanto à legalidade da operação e ao respeito à soberania venezuelana.
A primeira audiência em que Maduro foi formalmente apresentado à Justiça dos EUA, sob acusações de narcotráfico, aconteceu diante do juiz Alvin K. Hellerstein. A sessão teve caráter inicial e tratou de procedimentos processuais. A esposa dele, Cilia Flores, que também foi capturada durante a operação, esteve no tribunal com o marido, acompanhada por advogados de defesa.
O governo americano afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, um poderoso grupo que atua no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA, inclusive para desestabilizar a sociedade do país. Segundo Washington, a organização teria envolvimento direto com rotas internacionais de cocaína e conexões com outros grupos criminosos da região.
A Casa Branca colocou o grupo na mira de seu aparato militar ao declarar as organizações de tráfico de drogas como organizações terroristas. Essa classificação ampliou os instrumentos legais e militares disponíveis para ações diretas. As conclusões do governo americano são contestadas, no entanto, por quem pesquisa o assunto e por especialistas em crime organizado na América Latina.
Para especialistas, Maduro não seria o cabeça da organização, porque o Cartel de los Soles não é um grupo com uma hierarquia definida, mas uma “rede de redes” que facilita o tráfico de drogas e lucra com ele, composta por membros de diversas patentes militares e diferentes estratos políticos da Venezuela. Essa estrutura difusa dificultaria a identificação de um comando único.
Apesar disso, há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele ajudou a instalar no país, segundo análises acadêmicas e relatórios internacionais, combinando estruturas estatais formais com práticas ilegais.
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