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Saúde O narcisismo está aumentando. Por isso, você não é tão especial

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A personalidade narcisista é caracterizada por uma admiração excessiva por si mesmo. (Crédito: Reprodução)

Meu filho adolescente me informou recentemente de que existe um teste na internet para saber se a pessoa é narcisista. Seu amigo acabara de fazê-lo. “E como foi?” perguntei. “Ele falou que foi muito bem!”, respondeu. “Tirou a nota mais alta!” Quando eu era menino, ninguém fora do campo das doenças mentais falava em narcisismo; as pessoas se preocupavam mais com uma baixa autoestima, que, como se acreditava na época, está por trás de todas as dificuldades.

Um estudo de 2010 publicado na revista Social Psychological and Personality Science concluiu que a percentagem de estudantes dos primeiros anos de faculdade que apresentam traços de personalidade narcisista, com base em seus resultados sobre o Narcissistic Personality Inventory, um teste de diagnóstico amplamente usado, aumentou mais de 50% desde o início dos anos 1980, para 30%. Em seu livro “Narcissism Epidemic”, os professores de psicologia Jean M. Twenge e W. Leith Campbell mostraram que, desde os anos 1980, o narcisismo aumentou tão rapidamente quanto a obesidade.

Para solucionar o problema, é preciso compreendê-lo. O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, do século 18, escreveu sobre o “amor próprio”, uma espécie de amor por nós mesmos baseado nas opiniões dos outros. Ele o considerava antinatural e mórbido, e acreditava que a comparação social arbitrária levava as pessoas a desperdiçarem a própria vida tentando parecer atraentes aos outros. Pareceria uma descrição da nossa epidemia atual. Na realidade, no mito grego, Narciso se apaixona não por si mesmo, mas por seu reflexo. Na versão moderna, Narciso se apaixona pela própria imagem no Instagram, e acaba morrendo de fome, contando o número de seguidores.

Mídias sociais insuflam egos.

Se o nosso ego é obeso em razão de tanto amor próprio, a mídia social pode realmente nos fornecer os carboidratos emocionais vazios pelos quais ansiamos. O Instagram e coisas semelhantes não geram o narcisista, mas estudos sugerem que atuam como aceleradores. Indubitavelmente vocês viram isto nos outros, e talvez um pouco em vocês mesmos quando postaram uma selfie lisonjeira – e depois ficaram buscando umas 20 vezes os “curti”.

Um amor próprio sadio que leva à verdadeira felicidade é o que Rousseau chamava de “amour de soi”. Ele aumenta o bem-estar intrínseco, em vez de alimentar um frívolo anseio pela admiração dos outros. Cultivar o “amour de soi” requer que o indivíduo esteja totalmente vivo no momento, e não virtualmente vivo e preocupado com o que os outros pensam. Uma ligação calorosa com outra pessoa, o prazer do aprimoramento da beleza, sozinhos (não compartilhados no Facebook) ou uma oração de agradecimento pelo filho que dorme (esqueça o Twitter) poderiam ser consideradas manifestações do “amour de soi”.

Então, aqui está uma estratégia de aprimoramento individual que combina um amor de si sadio. Em primeiro lugar, faça um teste com o Inventário da Personalidade Narcisista. Se você marcou muitos pontos como o amigo do meu filho, talvez seja a hora de refletir. Depois, pergunte para si mesmo: “Será que eu quero ser esta pessoa?” Em seguida, livre-se do fator emocional pernicioso que está alimentando toda obsessão doentia por si próprio. Faça uma lista de opiniões para ignorar – principalmente as dos bajuladores e dos críticos – e reveja a lista diariamente. Não desperdice um momento sequer tentando impressionar os outros, ao contrário, trate-os (e a você mesmo) com carinho, seja ele merecido ou não. E vá logo para uma mídia social. Mande mensagens para se comunicar, elogiar, e aprender – jamais para se promover. O que você tem a perder? Somente o seu “eu” distorcido, refletido. Será fácil pôr em prática isto? Claro que não. Mas eu sei que você pode fazê-lo. Afinal, você é o melhor. (Arthur C. Brooks, presidente do American Enterprise Institute)

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