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Política Lula: “Não quero saber de notícia ruim depois das oito da noite”

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Aos 80 anos, Lula diz que não tem, nem quer um telefone celular. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que encontrou a receita certa para uma noite tranquila: “Olha, sou presidente da República e eu não quero saber de notícia ruim depois das oito horas da noite. Eu não estou preocupado com o que acontece no mundo depois. Eu quero dormir porque eu sei que se eu dormir bem, eu acordo bem.”

Aos trabalhadores de um estaleiro gaúcho, que visitou na terça-feira (20), contou ter decidido passar as doze horas seguintes desligado do noticiário: “Só quero saber depois das oito horas da manhã, porque antes eu não vou poder tomar nenhuma decisão. Que eu tenho que saber de notícia pela manhã? Que bobagem é essa?”.

Talvez tenha sido um excesso retórico. Caso contrário, o presidente do Brasil só teria recebido a “notícia ruim” do ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela seis horas depois de ocorrido – que aconteceu no início da madrugada de sábado, 3 de janeiro, pelo horário de Brasília.

Virtual candidato a um quarto mandato na eleição de outubro, Lula faz comícios seguindo o mesmo roteiro das campanhas presidenciais dos últimos 36 anos.

Vagueia pelo palanque enquanto reconta a história da migração familiar da miséria no agreste pernambucano para São Paulo. Segue com lembranças da ascensão à classe média urbana e, depois, na hierarquia do movimento sindical, até chegar à presidência “sem diploma” – que ele julga a mais transformadora “em 525 anos de história”.

Nesta temporada eleitoral, o presidente-candidato resolveu aconselhar eleitores sobre como lidar com aquilo que considera uma fonte de “manipulações e mentiras”, o telefone celular: “Nós precisamos destruir essa fase da mentira e do ódio que tem tomado conta do nosso país. É impressionante a quantidade de manipulação e de mentiras passado 24 horas por dia. E eu sei que todo mundo tem um celular na mão. Eu sei que todo mundo não consegue fazer outra coisa, a não ser com celular, sabe? E eu queria dizer para vocês, não se permitam virar algoritmos. Vocês são seres humanos.”

Continuou: “A direita tem uma indústria da mentira. Tem uma indústria poderosíssima. Só para você ter ideia, na campanha do presidente Trump (em 2024), na última semana, eles fizeram dois milhões de mensagens contra a adversária dele (Kamala Harris). Dois milhões. Vai ser assim a campanha (no Brasil).”

Aos 80 anos, Lula diz que não tem, nem quer um telefone celular: “Ao invés de ficar carregando celular na mão, eu prefiro coçar outras coisas… É um vício. Isso é uma dependência digital. Não tem dependência química? Isso é dependência digital, sabe? Nós estamos robotizados, nós estamos virando algoritmo e eles fazem com a gente o que eles querem. E quanta mentira, 24 horas por dia. Tá tudo ficando digitalmente difícil do ser humano lidar. Então, se preparem.” (José Casado/Revista Veja)

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