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Mundo Lula busca reaproximação com a comunidade judaica após dois anos de crise com Israel

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O desgaste na relação se agravou depois que Lula condenou a ofensiva militar de Israel em Gaza

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
O desgaste na relação se agravou depois que Lula condenou a ofensiva militar de Israel em Gaza. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta reconstruir pontes com a comunidade judaica após a crise diplomática entre Brasil e Israel. O desgaste na relação se agravou depois que Lula condenou a ofensiva militar de Israel em Gaza, adotada como resposta ao ataque do grupo terrorista Hamas. Em uma tentativa de aproximação, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, visitará nesta segunda-feira (26), o Memorial do Holocausto, situado na antiga Sinagoga do Bom Retiro, em São Paulo.

Antes, a ministra percorrerá o Ten Yad, instituição beneficente judaica, e a organização social Unibes, conhecida pela assistência a idosos. No fim do dia, Macaé vai participar de uma caminhada por locais históricos do Bom Retiro. Integrantes do primeiro escalão e líderes do governo Lula no Congresso já têm feito acenos à comunidade judaica, em reuniões reservadas. A partir de agora, porém, pretendem intensificar os contatos para tirar do presidente a pecha de “antissemita”.

Não é à toa que ministros passaram a destacar, recentemente, que a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro a Israel, desde dom Pedro 2.º, foi feita por Lula em 2010, no último ano de seu segundo mandato. Atualmente, a Embaixada de Israel no Brasil é chefiada pela encarregada de negócios Rasha Athamni, que mantém uma relação distante e protocolar com o Itamaraty. Athamni assumiu o cargo em outubro de 2025, dois meses depois de o Itamaraty desistir de aprovar a indicação do diplomata Gali Dagan para embaixador. Como resposta, Israel decidiu rebaixar as relações diplomáticas com o Brasil.

Ainda em agosto do ano passado, o Ministério das Relações Exteriores condenou declarações do ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que havia chamado Lula de antissemita “apoiador do Hamas” e associado o presidente ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. A chancelaria brasileira classificou as declarações de Katz como “grosserias inaceitáveis contra o Brasil e o presidente Lula”.

Lula acusou Israel diversas vezes de praticar “genocídio”. Em maio de 2025, por exemplo, o petista afirmou que Israel comete genocídio ao matar crianças e mulheres em Gaza, “a pretexto” de eliminar terroristas. Em fevereiro de 2024, o presidente já havia dito que o Exército de Israel cometia genocídio contra palestinos, fazendo referência ao Holocausto durante a ditadura nazista de Adolf Hitler.

Em seguida, Israel convocou o embaixador brasileiro para um evento no Museu do Holocausto, atitude lida pelo Itamaraty como humilhação. Lula foi declarado “persona non grata” pelo governo israelense, ou seja, alguém que não é bem-vindo no país. Três meses depois, o Brasil retirou seu embaixador de Israel. O posto continua vago. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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